Conheça a ong AMAR - Projeto Pequenos Discípulos


Educação


img6 Projeto Pequenos Discípulos educa para a vida


Diante da deficiência do sistema educacional brasileiro, organizações do terceiro setor estão implementando modelos alternativos, que ao trabalhar a capacidade criadora e dialógica das crianças, alcançam resultados que ultrapassam a simples assimilação de conhecimentos.


Estimular o aprendizado participativo e transmitir valores cristãos de modo prático às crianças é a proposta do Projeto Pequenos Discípulos, desenvolvido há três anos no Amazonas pela ONG Amar (Associação Missionária de Apoio Reformado).

Ao todo, estão cadastradas no Projeto cem crianças dos municípios de Manaus, Urucará, Itacoatiara e Beruri. Na capital amazonense, a iniciativa abrange os bairros de Fátima e Tancredo Neves.

Os recursos que mantêm o trabalho vêm do apadrinhamento, que consiste no compromisso firmado por pessoas que desejam sustentar mensalmente um dos cadastrados, pela quantia de R$ 80.

De acordo com o idealizador do projeto e pastor da Igreja Presbiteriana Betel, Alcedir Sentalin, a educação desenvolvida pelo 'Pequenos Discípulos' segue a metodologia ensinada por Jesus, pois é voltada para a exposição direta de princípios essenciais à vida. "O modelo de educação vigente no Brasil está fadado ao fracasso, porque é superficial e impositivo. O aluno decora o conteúdo para fazer provas coercitivas. Ao contrário, o método prático utilizado por Cristo impactou até os seus inimigos, que demonstraram mudanças comportamentais", explica.

DIDÁTICA É
O DIFERENCIAL


O Projeto funciona de segunda a sexta-feira. As atividades iniciam às 07h:30m com o café da manhã e após a primeira refeição, os 'pequenos discípulos' participam de um devocional, onde ouvem ensinamentos e histórias de personagens bíblicos. Em seguida, começam as aulas de reforço escolar, ministradas por professores voluntários.

Das 10h às 14h, é servido o almoço e as crianças matriculadas na rede pública de ensino, no período da tarde, vão para as suas escolas, enquanto os alunos que estudam no turno matutino chegam ao projeto por volta do meio-dia. Dessa forma, a instituição recebe duas turmas distintas de crianças – o grupo da manhã e o da tarde.

Depois do almoço, os pequeninos realizam uma série de atividades que varia conforme o dia e o voluntário disponível. Além da prática desportiva, as crianças desenvolvem atividades artísticas como pintura e desenho, artesanato, teatro e dança. Elas aprendem ainda culinária, crochê e a tocar instrumentos musicais como flauta e violão.

No final da tarde, é a hora do lanche. É o momento de 'recarregar' as energias para participar de jogos e brincadeiras até a hora de ir para casa, às 18h:30.

NADA DE
OCIOSIDADE


A presidente da ONG Amar e esposa do pastor Alcedir, Marly Sentalin, enfatiza que o cronograma de atividades semanais é extenso, porque o objetivo é evitar que as crianças fiquem ociosas nas ruas. "Não queremos apenas transmitir os conhecimentos gerais dos livros, mas trabalhar de forma a abranger toda a família com princípios cristãos. A maior carência dos meninos e meninas que atendemos é o afeto de pai e mãe", aponta.

Segundo Marly, a maioria dos participantes do projeto não tem contato com o pai e pouco vê a mãe durante a semana, em virtude de ela estudar e trabalhar para sustentar a casa. Este quadro social constitui a realidade mais preocupante para a direção do 'Pequenos Discípulos': as crianças não possuem o referencial de família. "O nosso desejo para os próximos anos é alcançar um número maior de apadrinhados e oferecer uma melhor assistência junto aos lares. Não integrar os pais ao trabalho é o mesmo que começar do ponto de partida a cada segunda-feira", afirma Marly, que lidera uma equipe de 20 voluntários.

VOLUNTÁRIOS

Uma das voluntárias é Neuricene Pinheiro de Souza, 28 anos, responsável pelo serviço de limpeza. Há quatro meses participando do 'time', Neucirene diz que decidiu se colocar à disposição por considerar fundamental o ensino das Boas Novas aos pequeninos. "O devocional da manhã é uma bênção inclusive para mim", comenta.

Outra jovem voluntária é a professora de inglês Rute Leão Rodrigues, há dois meses ministrando aulas para as crianças. Para Rute, o método educacional aplicado no 'Pequenos Discípulos' é diferente porque transforma o caráter das crianças.

Andreza Medeiros, nove anos, é uma das crianças beneficiadas pela iniciativa da ONG Amar. Aprendiz de flauta, violão, teatro e dança, Andreza lembra lições marcantes que assimilou no momento devocional. "Ouvi a história de Jacó e aprendi que o pecado é ruim", lembra.

O pastor Alcedir ressalta que a ONG não possui parceria com empresas, órgãos governamentais ou igrejas. A dificuldade para angariar os recursos necessários existe, principalmente porque das cem crianças cadastradas, somente 46 foram apadrinhadas.

O casal Sentalin deixa claro que a vocação do 'Pequenos Discípulos' não é ser uma escola convencional, mas um agente incentivador de cada criança, para que elas se sintam estimuladas a desenvolver sua criatividade. "Nosso papel é fomentar os sonhos de cada um deles, ajudá-los a lidar com emoções, mostrá-los como viver bem. Essa é a educação para a vida e é preocupação nossa fazer com que as crianças tenham a oportunidade de experimentar isso", salienta o pastor
.

Priscila Mesquita

Fonte: Universidade Federal do Amazonas


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