Estamos em mais um ano de eleições! Em tempos de eleições os candidatos fazem uso de discursos para comunicar seus projetos e, mais importante, convencer seus ouvintes de que são a melhor opção! O discurso se torna então uma importante ferramenta, é necessário elaborá-lo com cuidado, incluindo nele tudo aquilo que o povo quer ouvir, mas que quase sempre não será cumprido!
Pedro também fazia uso de discursos, assim como os demais apóstolos e evangelistas. Neste texto de Atos 3:11, Pedro faz seu segundo discurso em um curto período de tempo. O primeiro, veja Atos 2:14, foi motivado pela inquietação de alguns judeus depois de testemunharem as manifestações do Espírito Santo na vida dos discípulos. Pedro então se apressou em explicar o que ocorria: “Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras.”(At 2:14) Com estas palavras ele iniciou sua explanação da origem dos eventos sobrenaturais, que ocorreram no dia de Pentecostes. Este segundo discurso, não muito depois do primeiro, se dá em meio à inquietação do povo diante da cura maravilhosa de um coxo de nascença. Os versos 9,10 e 11, dizem assim: “Viu-o todo o povo a andar e a louvar a Deus,” “...e se encheram de admiração e assombro por isso que lhe acontecera.” “todo o povo correu atônito para junto deles no pórtico chamado de Salomão.” Este ato espetacular do Espírito Santo, feito em nome de Jesus, curando alguém que não andava desde o nascimento, já sendo um adulto de mais de quarenta anos(At 4:22), causou grande reboliço e admiração nos freqüentadores do templo. Este contexto criou o ambiente favorável para que Pedro fizesse seu segundo grande discurso, motivado pela curiosidade do povo, pelo espanto causado pela ação de Deus e não do homem. Também causado pelo engessamento espiritual, por uma religiosidade que não esperava a ação sobrenatural de Deus, que não vivia mais na expectativa de grandes coisas da parte do Altíssimo. “...mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (I Coríntios 2:9)
Infelizmente nos desacostumamos com as manifestações do Deus vivo, corremos o risco de sermos freqüentadores de templos, sem experimentar o poder daquele que foi à cruz em nosso lugar. Diante disto, Pedro se levantou e fez um discurso repleto de verdades importantes, que são relevantes para nós nos dias atuais:
1) “À vista disto, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: Israelitas, por que vos maravilhais disto ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?” (3:12) “Pela fé em o nome de Jesus, é que esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé que vem por meio de Jesus deu a este saúde perfeita na presença de todos vós.” (3:16) Esta é uma verdade que precisamos ouvir nos discursos de crentes e líderes de nossos dias! O nome de Jesus é poderoso, um nome que está acima de todo nome! Este nome salva e nos transporta das trevas para a luz; este nome nos fortalece! Infelizmente vivemos dias de orgulho religioso, de exaltação denominacional, de promoção de nomes de homens como poderosos e “ungidos”, desviando a atenção e admiração do povo do doce nome do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Pedro conhecia este Jesus, ele conhecia a si mesmo, e não admitiu ser olhado como alguém superior: “...por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?” Ele começa seu discurso direcionando os seus ouvintes para o céu, para Jesus, rejeitando energicamente qualquer crédito pela maravilhosa cura que ocorreu. Precisamos destes mesmos valores hoje: honestidade e humildade, coisas não muito presentes nos discursos feitos em púlpitos, grandes ajuntamentos, e na mídia!
2) “Vós, porém, negastes o Santo e o Justo e pedistes que vos concedessem um homicida. Dessarte, matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” (3:14,15) Pedro passa então a falar deste Jesus, lembrou os presentes do fato de que Ele foi rejeitado pela multidão, foi trocado por um homicida. Esta verdade precisa ser anunciada sempre, é necessário fazer o povo saber que o Senhor Jesus morreu por nossa causa, que negá-Lo e desprezar sua obra é uma grande ofensa. É preciso fazer uso de toda e qualquer situação para lembrar os perdidos de que somos pecadores, de que nossos pecados nos separam do Céu, e nos conduzem para a perdição eterna. Pedro os lembrou de sua culpa na morte daquele que operara a cura do coxo, daquele que foi a expressão exata de Deus entre eles.
3) “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades; mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer.” (3:17,18) O discurso de Pedro não foi vazio de solução, ele não berrou num “palanque”, lançando condenação e revanche sobre os que o ouviam! Não! Ele declarou a soberania de Deus sobre todas as coisas, inclusive sobre os momentos difíceis e trágicos de nossas vidas. O Jesus que eles rejeitaram veio para padecer, para ser humilhado, maltratado, crucificado, e ressuscitou para redimir e salvar todo aquele que nEle crê. Eles o fizeram “por ignorância” ! Muitos andam na ignorância, não sabendo que Deus se fez carne, e habitou entre nós, cheio graça e desejo de resgatar os seus. Pedro não fez uso do momento para ser revanchista, não discursou para oprimir e lançar condenação sobre eles, mas mostrou que o Jesus que curou o coxo era o mesmo que eles rejeitaram, sendo Ele Emanuel: Deus conosco!
4) “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,...” (3:19) O discurso, além de não ser revanchista e condenatório, também não foi vazio de solução para o pecado e perdição eterna! Arrependei-vos, disse Pedro! Para andar com Jesus é necessário arrependimento, profunda tristeza pelos atos que não são dignos do Céu; também é necessário converter, dar meia volta e caminhar nos trilhos da santidade e fidelidade ao Senhor.
5) “...a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério...” (3:20) Em seu discurso, Pedro deixou claro que, o Jesus que curou o coxo, é aquele que veio para trazer o refrigério tão desejado pela alma humana; Ele não veio para condenar e destruir, mas para salvar o perdido, todo aquele que cresse! (João 3:16-18)
6) “Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades.” (3:26) O discurso foi claro: a rejeição deste profeta levaria à perdição! A aceitação do enviado traria bênção, levando a uma vida de santidade e serviço, onde cada um se apartaria de suas perversidades!
Qual tem sido o seu discurso? No palanque da vida, o que tem o povo ouvido de seus lábios e comportamento? Pedro não perdeu a oportunidade da manifestação de Deus para dizer ao mundo em quem ele cria. Pedro era alguém que experimentou Jesus, sua vida estava em Jesus, seu discurso era Jesus. O conteúdo de seu discurso era cristocêntrico, vazio de orgulho e alto-promoção, cheio de vida e experiência com o Espírito Santo.
Que o Senhor Jesus nos ajude com seu poder, fazendo de nós instrumentos de sua graça, usando os nossos lábios para dizer ao mundo que Ele é Senhor, e nEle há poder para salvar e curar.
Pr. Sérgio Horta Publicado no Boletim 496 de 23/07/2006