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  BOLETIM 496
O DISCURSO DE PEDRO

Estamos em mais um ano de eleições! Em tempos de eleições os candidatos fazem uso de discursos para comunicar seus projetos e, mais importante, convencer seus ouvintes de que são a melhor opção! O discurso se torna então uma importante ferramenta, é necessário elaborá-lo com cuidado, incluindo nele tudo aquilo que o povo quer ouvir, mas que quase sempre não será cumprido!
Pedro também fazia uso de discursos, assim como os demais apóstolos e evangelistas. Neste texto de Atos 3:11, Pedro faz seu segundo discurso em um curto período de tempo. O primeiro, veja Atos 2:14, foi motivado pela inquietação de alguns judeus depois de testemunharem as manifestações do Espírito Santo na vida dos discípulos. Pedro então se apressou em explicar o que ocorria: “Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras.”(At 2:14) Com estas palavras ele iniciou sua explanação da origem dos eventos sobrenaturais, que ocorreram no dia de Pentecostes. Este segundo discurso, não muito depois do primeiro, se dá em meio à inquietação do povo diante da cura maravilhosa de um coxo de nascença. Os versos 9,10 e 11, dizem assim: “Viu-o todo o povo a andar e a louvar a Deus,” “...e se encheram de admiração e assombro por isso que lhe acontecera.” “todo o povo correu atônito para junto deles no pórtico chamado de Salomão.” Este ato espetacular do Espírito Santo, feito em nome de Jesus, curando alguém que não andava desde o nascimento, já sendo um adulto de mais de quarenta anos(At 4:22), causou grande reboliço e admiração nos freqüentadores do templo. Este contexto criou o ambiente favorável para que Pedro fizesse seu segundo grande discurso, motivado pela curiosidade do povo, pelo espanto causado pela ação de Deus e não do homem. Também causado pelo engessamento espiritual, por uma religiosidade que não esperava a ação sobrenatural de Deus, que não vivia mais na expectativa de grandes coisas da parte do Altíssimo. “...mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (I Coríntios 2:9)
Infelizmente nos desacostumamos com as manifestações do Deus vivo, corremos o risco de sermos freqüentadores de templos, sem experimentar o poder daquele que foi à cruz em nosso lugar. Diante disto, Pedro se levantou e fez um discurso repleto de verdades importantes, que são relevantes para nós nos dias atuais:
1) “À vista disto, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: Israelitas, por que vos maravilhais disto ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?” (3:12) “Pela fé em o nome de Jesus, é que esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé que vem por meio de Jesus deu a este saúde perfeita na presença de todos vós.” (3:16) Esta é uma verdade que precisamos ouvir nos discursos de crentes e líderes de nossos dias! O nome de Jesus é poderoso, um nome que está acima de todo nome! Este nome salva e nos transporta das trevas para a luz; este nome nos fortalece! Infelizmente vivemos dias de orgulho religioso, de exaltação denominacional, de promoção de nomes de homens como poderosos e “ungidos”, desviando a atenção e admiração do povo do doce nome do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Pedro conhecia este Jesus, ele conhecia a si mesmo, e não admitiu ser olhado como alguém superior: “...por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?” Ele começa seu discurso direcionando os seus ouvintes para o céu, para Jesus, rejeitando energicamente qualquer crédito pela maravilhosa cura que ocorreu. Precisamos destes mesmos valores hoje: honestidade e humildade, coisas não muito presentes nos discursos feitos em púlpitos, grandes ajuntamentos, e na mídia!
2) “Vós, porém, negastes o Santo e o Justo e pedistes que vos concedessem um homicida. Dessarte, matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” (3:14,15) Pedro passa então a falar deste Jesus, lembrou os presentes do fato de que Ele foi rejeitado pela multidão, foi trocado por um homicida. Esta verdade precisa ser anunciada sempre, é necessário fazer o povo saber que o Senhor Jesus morreu por nossa causa, que negá-Lo e desprezar sua obra é uma grande ofensa. É preciso fazer uso de toda e qualquer situação para lembrar os perdidos de que somos pecadores, de que nossos pecados nos separam do Céu, e nos conduzem para a perdição eterna. Pedro os lembrou de sua culpa na morte daquele que operara a cura do coxo, daquele que foi a expressão exata de Deus entre eles.
3) “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades; mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer.” (3:17,18) O discurso de Pedro não foi vazio de solução, ele não berrou num “palanque”, lançando condenação e revanche sobre os que o ouviam! Não! Ele declarou a soberania de Deus sobre todas as coisas, inclusive sobre os momentos difíceis e trágicos de nossas vidas. O Jesus que eles rejeitaram veio para padecer, para ser humilhado, maltratado, crucificado, e ressuscitou para redimir e salvar todo aquele que nEle crê. Eles o fizeram “por ignorância” ! Muitos andam na ignorância, não sabendo que Deus se fez carne, e habitou entre nós, cheio graça e desejo de resgatar os seus. Pedro não fez uso do momento para ser revanchista, não discursou para oprimir e lançar condenação sobre eles, mas mostrou que o Jesus que curou o coxo era o mesmo que eles rejeitaram, sendo Ele Emanuel: Deus conosco!
4) “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,...” (3:19) O discurso, além de não ser revanchista e condenatório, também não foi vazio de solução para o pecado e perdição eterna! Arrependei-vos, disse Pedro! Para andar com Jesus é necessário arrependimento, profunda tristeza pelos atos que não são dignos do Céu; também é necessário converter, dar meia volta e caminhar nos trilhos da santidade e fidelidade ao Senhor.
5) “...a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério...” (3:20) Em seu discurso, Pedro deixou claro que, o Jesus que curou o coxo, é aquele que veio para trazer o refrigério tão desejado pela alma humana; Ele não veio para condenar e destruir, mas para salvar o perdido, todo aquele que cresse! (João 3:16-18)
6) “Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades.” (3:26) O discurso foi claro: a rejeição deste profeta levaria à perdição! A aceitação do enviado traria bênção, levando a uma vida de santidade e serviço, onde cada um se apartaria de suas perversidades!
Qual tem sido o seu discurso? No palanque da vida, o que tem o povo ouvido de seus lábios e comportamento? Pedro não perdeu a oportunidade da manifestação de Deus para dizer ao mundo em quem ele cria. Pedro era alguém que experimentou Jesus, sua vida estava em Jesus, seu discurso era Jesus. O conteúdo de seu discurso era cristocêntrico, vazio de orgulho e alto-promoção, cheio de vida e experiência com o Espírito Santo.
Que o Senhor Jesus nos ajude com seu poder, fazendo de nós instrumentos de sua graça, usando os nossos lábios para dizer ao mundo que Ele é Senhor, e nEle há poder para salvar e curar.

Pr. Sérgio Horta
Publicado no Boletim 496 de 23/07/2006