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  BOLETIM 498
O BATISMO INFANTIL

O que dizem as Escrituras - At 2:38,39

Como rito de iniciação da Antiga Aliança, a circuncisão tinha um significado triplo: a remoção do pecado, a mudança de comportamento (arrependimento) e a inclusão na igreja do Antigo Testamento (Dt10:16; 30:6:Jr4:4; 9:25-26; Ez44:7.9; At2:38; 7:51). Pedro em seu sermão após o Pentecostes cita o arrependimento (grego metanoia) como sendo uma decisão de mudança total de atitude e de vida, em que a pessoa, pela ação soberana de Deus é levada a reconhecer, pela fé o seu pecado (At18:8) e a sentir tristeza por ele (2Co7:9), decidindo-se a abandoná-lo, baseando sua confiança na misericórdia de Deus, que perdoa incondicionalmente (Mt 3.2-8; 2Co 7.9-10; 2Pe 3.9). Ato contínuo, Pedro fala da necessidade daqueles que entregaram a vida a Cristo de serem batizados com água como o sinal externo da obra interna do Espírito Santo em seus corações, resultando na remissão de pecados e no batismo do Espírito Santo, como ato de iniciação ao corpo de Cristo (At2:38:“E recebereis o dom do Espírito Santo”; conforme 1Co12:13). O apostolo Paulo define o batismo como a circuncisão de Cristo (Cl2:11-13) e efetua uma ação tríplice no coração do homem convertido: o lavar que remove o pecado, a renovação pessoal pelo Espírito Santo e a participação do crente como membro do corpo de Cristo (At2:38; Rm6:4; ICo12:13; Tt3:5; IPe3:21). O batismo não é idêntico à circuncisão, mas lhe corresponde em essência (Rm4:11) e a substitui como sinal identificativo da Nova Aliança.
A consagração e o batismo infantil. Existem pais crentes que consideram o batismo infantil e a consagração como duas coisas idênticas. Outros desconsideram o batismo infantil, achando-o antibíblico, pensando que cabe aos pais apenas apresentarem seus filhinhos numa possível atitude de consagração.
Considerações importantes: A Consagração diz respeito à atitude dos pais de colocarem seus filhos no altar do Senhor, num compromisso público, comprometendo-se encaminha-los em sua Palavra. Essa atitude não está errada, pois devemos mesmo tomar a decisão de levar nossos filhos ao conhecimento de Jesus através de uma experiência pessoal com Ele. Porém, a consagração aponta mais para a atitude e responsabilidade dos pais, do que para o plano soberano de Deus no que diz respeito à família, mais especificamente em relação aos filhos da promessa e sua inclusão na aliança que Ele faz com os pais crentes. Se eu assim entender, então eu confiarei ao Senhor os cuidados e o futuro de meu filhinho, encaminhando-o para o batismo, por entender que faz parte da aliança que Deus fez comigo, confiando, sem reservas, que o próprio Deus vai preservar a vida dele, mas por outro lado, estarei pronto para entender também, que tenho a responsabilidade de educar e criá-los no conhecimento de Jesus. Somente sob esse prisma posso me comprometer em levar meus filhos ao conhecimento do Senhor, pois sei que Ele cumprirá a Sua parte. Essa é a grande diferença!
Definição: O Batismo Infantil com a água da aspersão é o sinal substitutivo da circuncisão e selo continuativo da Promessa. A consagração é uma atitude que simboliza o esforço humano, impingido pela boa vontade dos pais. O Batismo Infantil diz respeito a atitude soberana de Deus em incluir e envolver a família no Seu Pacto da Graça (Gn7:1; 17:9-14; Ex12:3,7; Nm18:1,11; Dt12:7; 14:26; Js2:19; 6:17; 2Sm6:11; Lc19:9; Jo4:53; At2;38,39; 11:14; 16:15,31,34; 18:8; IPe3:20).
Prova Teológica em favor do Batismo Infantil: a) Deus fez um Pacto com seu povo, através de Abraão (Gn12:1-3; 17:7,8,10,11; Ex19:5,6; 1Pe2:9,10; Rm9:25; Hb8:10; 10:30) e esse Pacto extravasa para o Novo Testamento atingindo dimensões universais (Jo1:12). Deus selou esse Pacto com a circuncisão (Gn17:10,11; Rm4:11,13,16,17) que continuaria se não fosse ab-rogada, sendo substituída. Cristo, como Testador, é também o Mediador desse Novo Pacto. Sendo assim, se há mudanças nos termos do pacto, somente Ele as fará (Jr31:33; Mt26:28; 1Co11:25; 2Co3:3; Hb8:6; 9:15-17; 12:24). Deus aboliu a circuncisão, mas manteve o Pacto (At15:5,10,11,19,20; Gl5:2,3; 2:14-16; 3:18,19; 4:28; Ef2:11-13). Cristo ordenou o batismo (Mt28:19; Mc16:15,16). Deus não acrescentou nenhum outro sinal como selo do Pacto da Graça com Seu povo senão o batismo (At2:38,39; Gl2:11,12). O batismo com água é o atual e legítimo sinal do Pacto. Quem se fizer membro do Povo do Pacto receberá o Seu sinal: A criança, por nascimento; o adulto, por fé (At8:36,37; Rm4:13,16,17; Gl2:16; 3:6-9). O Pacto é universal, mas é também familiar (Gn11:7-11; Ex20:5,6; Dt6:2,4-7; Mt19:14; At2:39; 1Co7:14; Rm4:13,16,17). No ingresso ao Povo do Pacto, o adulto receberá o sinal do batismo “por meio da fé” como Abraão, como o selo da justificação pela fé (Gl3:6-14), entretanto, seus filhinhos, visto que por nascimento são incluídos no Povo do Pacto, como Isaque e a descendência de Abraão, receberão o sinal do batismo não “por meio da fé”, mas “para a fé”. Quando nossos filhos atingirem a idade da razão, então poderão, por livre vontade, confessar a Jesus como seu Salvador pessoal, e fazerem sua pública e espontânea profissão de fé para terem o mesmo testemunho de fé de seus pais. Considerações Finais: O batismo infantil é um ritual legítimo, uma doutrina embasada em toda a Bíblia, carregada de significância e que proclama diante de Deus, da igreja e do diabo que nossos filhos batizados na infância são incluídos no Círculo da Graça de Deus, com direito ao acesso irrestrito a todas as bênçãos e promessas decorrentes da Sua Palavra, incluindo o derramamento do Espírito Santo para serem profetas, a chamada eficaz para a vida (At2:17,39) sendo projetados para serem benção agora, no futuro e no Reino Celestial!

Pr. Manoel do Carmo Filho
Publicado no Boletim 498 de 06/08/2006