ESTUDOS PARA
GRUPOS FAMILIARES
IMPRIMIR


Voltar
  BOLETIM 517
JESUS O NOSSO ADVOGADO

O tribunal do júri é um exemplo do que acontece no tribunal de Deus, temos Deus Pai o Juiz, Jesus o nosso Advogado, Mediador e Intercessor e Satanás o acusador. Tanto o apóstolo Paulo usa esta figura como o apóstolo João.
O livro de Romanos é a expressão mais clara deste exemplo. Paulo nos coloca no tribunal e usa as expressões: Justificação, condenação, acusação. No capítulo 8:31-35, ele usa as peças de processo forense: Acusação, justificação (v.33), condenação (v.34), separação (prisão, condenação, punição) v.35.
João conhecendo a realidade de que somos pecadores necessitados da graça de Deus (I João 1:6-10), nos ensina que Jesus é o nosso Advogado junto ao Pai. É o nosso parakletos, que significa “chamado para o lado”, é aquele que está ao nosso lado para nos ajudar, animar, defender. O seu trabalho é encorajar, levantar os caídos, é o nosso intercessor, aquele que se coloca entre nós e o Pai. Todo contexto bíblico, todos os livros do Novo Testamento apresentam Jesus como nosso salvador, mediador, intercessor e Senhor. É um grande alento para todos nós esta verdade. Quando pecamos, queremos fugir da presença de Deus e nos esconder como Adão.
Cristo é o nosso advogado no céu contra o nosso acusador e o Espírito Santo é advogado (Paráclito) de Cristo na terra, advogando a sua causa perante este mundo hostil.
A pessoa que crê em Cristo (que nasceu de novo), já tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida (Jo 5:24). Uma vez justificado o pecador por Deus, entrou na família de Deus e passou a se relacionar com Deus Pai (o Juiz). Se pecar, não precisará doutra justificação do Juiz divino. É filho de Deus, precisa de perdão do Pai. Isto é, assegurado pela advocacia de Jesus Cristo, o Justo, expressão composta que indica a sua natureza humana (Jesus), o seu ofício messiânico (Cristo) e o seu caráter justo. Esta referência a Cristo como justo, como a descrição de Deus em I Jo 1:9 como “justo” é inesperada.
A justiça, a pureza e a impecabilidade do caráter de Cristo são mencionadas várias vezes direta ou indiretamente, nesta epístola. É mais que evidente que somente por meio de um Salvador justo poderíamos ser justificados “de toda injustiça” (I Jo 1:9). Conforme II Co 5:21 e I Pe 3:18. Quanto à intercessão de Cristo e Sua santidade o livro de Hebreus nos diz: “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Com efeito nos convinha um sumo sacerdote, assim como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus.” Hb 7:25-26
No livro de Hebreus, Cristo é o nosso Sumo Sacerdote. Em I João é o nosso Paráclito.
João agora começa a descrever o nosso advogado justo como a propiciação pelos nossos pecados, visto que somente isto O qualifica para a posição. “Nosso Advogado não defende que nós somos inocentes, nem aduz circunstâncias atenuantes. Reconhece a nossa culpa e apresenta a Sua obra vicária como a base da nossa absolvição” (Smith). “A intercessão de Cristo é a continuada aplicação da Sua morte à nossa salvação” (Calvino). Nos escritos pagãos este substantivo propiciação (hilasmo) e o seu verbo cognato (hilaskesthai) eram comumente empregados com referência ao apaziguamento de uma divindade irada mediante ofertas. Tão baixo e corrupto era este conceito pagão, que muitos eruditos modernos têm rejeitado inteiramente a noção de uma propiciação cristã.
A noção da propiciação de Deus pela morte de Seu Filho não é nada incoerente com a revelação que nos foi dada do Seu caráter em Seu Filho e em Sua Palavra, se for compreendida acertadamente. Ela deve ser salvaguardada, e deve ser distinguida dos conceitos pagãos em duas particularidades. Primeira, a ira de Deus não é arbitrária ou caprichosa. Não tem semelhança com as paixões imprevisíveis e com o espírito vingativo e pessoal das divindades pagãs. Em vez disso, ela é Seu determinado, controlado e santo antagonismo a todo mal. Segunda, o meio pelo qual Sua ira é afastada não é um suborno, quer nosso, quer de uma terceira parte. Ao contrário, na propiciação a iniciativa é inteiramente de Deus. Semelhantemente, nesta epístola, toda a iniciativa é atribuída a Deus. A ação da qual Deus é, em algum sentido, o objeto, tem Deus mesmo como sua origem. Esta origem é Seu amor, o espontâneo e não causado amor do Pai e do Filho juntamente. Não devemos imaginar, nem que o Pai enviou Seu Filho para fazer alguma coisa que o Filho estava relutante em fazer, nem que o Filho era uma terceira parte intervindo entre o pecador e um Deus relutante. Estas duas idéias são excluídas pelo ensino desta epistola. O que se atribui ao Pai e ao Filho não é relutância, mas amor. “Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 Jo 4:10)
Tendo distinguido entre os conceitos pagãos e o cristão de propriação nestes dois aspectos importantes, devemos indagar agora: o que era ou é a propiciação? A resposta de João é que é “Jesus Cristo, o justo” mesmo (2:2), o Filho do Pai, enviado (4:10). Nos dois versículos Ele é descrito, não como o “propiciador”, mas como a “propiciação.” Isto é significativo porque salienta “a idéia de que Ele próprio é a oferta propiciatória... Um propiciador poderia fazer uso de um meio de propiciação fora dele. Mas Cristo é a nossa propiciação...”, o que se deduz do proeminente ele (autos). Mas em que sentido ele é a propiciação pelos nossos pecados? Não nos é dada nenhuma resposta direta neste versículo, mas se João escreve sobre “propiciação” aqui e em 4:10, e sobre perdão em 1:9, é porque afirmou em 1:7 que o que purifica de suas máculas culposas os pecadores é o sangue de Jesus, o Filho de Deus, isto é, a entrega de Sua vida numa morte violenta. “Nestas passagens temos uma concatenação de idéias propiciação, sangue, purificação, perdão derivados diretamente do sistema sacrificial do Velho Testamento, expressas, na verdade, em termos técnicos levíticos.
Além disso, Cristo ainda é a propiciação, não porque em algum sentido. Ele continua a oferecer o Seu sacrifício, mas porque o Seu sacrifício único, uma vez oferecido, tem virtude eterna que é eficaz hoje nos que crêem. E a propiciação pelos nossos pecados não é somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro. Isto não deve ser forçado a significar que todos os pecados são automaticamente perdoados por meio da propiciação de Cristo, mas, sim, que um perdão universal é oferecido por (os pecados de) todo o mundo e é desfrutado pelos que o aceitam; cf 4:9,14 e Jo 1:29; 3:16; 5:24. “Para homem nenhum do mundo todo existe qualquer meio de reconciliar-se que não o da propiciação de Cristo.
Firme sua vida em Cristo, Ele é tudo que você precisa nesta vida e na vindoura. Não viva na culpa, não aceite acusação do “adversário”, viva pela graça e na graça de Cristo.

 

Pr. José João Mesquita
Publicado no Boletim 517 de 17/Dez/2006