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  BOLETIM 521
VIVENDO COM EXCLUSIVIDADE PARA DEUS

O apóstolo João, em sua tarefa de pastorear o rebanho de Deus, depois de reafirmar a divindade de Jesus; de tratar da relação entre o pecador convertido e Deus; de apresentar o relacionamento da igreja com Deus e uns com os outros e da possibilidade concreta da vitória dos cristãos sobre as heresias, em I João 2:15-17 ele chama a atenção da igreja para sua relação com o mundo.
A ênfase de João sobre o comportamento da igreja em relação ao mundo realça a posição do cristão que, por meio de Jesus, entra num pacto de comunhão com Deus que envolve toda a vida e a vida toda. Assim, viver com exclusividade para Deus é uma das marcas mais contundentes de seus filhos.
O texto é aberto com a força do imperativo: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”. A palavra mundo deve ser entendida nesta passagem como o sistema que ordena a vida da sociedade humana, sob o domínio do mal, e por meio dele aprisiona a vida, os sentimentos e os desejos das pessoas.
Todos nós devemos ficar atentos para esse mandamento de Deus por algumas razões da maior importância:
1. O amor pelo Pai e o amor pelo mundo são incompatíveis. Isso significa que eles não podem existir ao mesmo tempo.
2. Aquele que ama o mundo se identifica com sua curta existência e aquele que ama o Pai se identifica com sua eternidade.
3. O amor pelo Pai e o amor pelo mundo são mutuamente exclusivos. Essa é a razão pela qual somos intimados a não amar o mundo. Se alguém é absorvido pelos interesses do mundo que rejeita a Cristo, é evidente que ele não tem o amor do Pai.
Em virtude de tudo isso, o mandamento contido no verso 15 elimina a possibilidade do cristão ter outra opção de vida a não ser a que é determinada por Deus.
João intensifica a exclusividade do viver para Deus quando enfatiza que o cristão além de não amar o mundo, não pode e não deve amar as coisas que há no mundo, porque “tudo o que há no mundo procede do mundo”. O apóstolo menciona três coisas que podem ser consideradas como marcas essenciais do paganismo.
1ª. A concupiscência da carne refere-se ao desejo da natureza caída e pecaminosa, ainda presente no interior do crente.
2ª. A concupiscência dos olhos os desejos que são despertados por meio das tentações em virtude do olhar. Nesse caso, pode ser dito do amor à beleza divorciado do amor à bondade.
3ª. A soberba da vida é uma arrogância relacionada com as circunstâncias da vida, seja riqueza ou posição, utilizada com desejo ímpio de vangloriar-se sobre alguém.
Por fim, a exclusividade do viver para Deus é descrita, no verso 17, em termos do resultado para aqueles que amam o Pai e para aqueles que amam o mundo.
O sistema maligno do mundo está condenado e, em processo de desintegração, caminha para o seu fim. João diz que aqueles que amam o mundo terão o mesmo fim.
Por outro lado o Pai é eterno e todo aquele que faz a vontade do Pai permanece, vive eternamente.
Como cristãos, somos chamados a viver exclusivamente para Deus. Isso é demonstrado quando rejeitamos o mundo e tudo quanto há no mundo e amamos ao Pai. Esse é um mandamento de Deus para nós.

Pr. Vanderli Guimarães Brito

Publicado no Boletim 521 de 14/Jan/2007