Todos nós sabemos que, em muitos casos, amizade pode ser sinônimo de interesse. Isto acontece quando alguém aproxima-se de outra pessoa com a sórdida intenção de aproveitar-se de algum benefício que esta possa lhe oferecer. As verdadeiras intenções nesse tipo de relacionamento, cedo ou tarde são descobertas, produzindo feridas, ressentimentos, amarguras e indisposição para se começar novas amizades. Embora estas palavras possam nos fazer reavaliar nossos relacionamentos humanos não é esse o alvo de nossa reflexão. É, na verdade, algo muito maior, que tem a ver com a eternidade. Chamo sua atenção para o relacionamento do homem com Deus. Para tanto, é necessário que você leia 2 Cor. 5:18-6:3.
Paulo escreveu uma segunda carta para a igreja na cidade de Corinto. Nos capítulos 5 e 6 dessa carta, ele demonstra a maneira como encara o seu ministério apostólico. É, nesse contexto, que Deus, por seu intermédio, nos ensina que tudo provém dele mesmo e que a causa geradora da vida cristã e da tarefa que nela se desenvolve são resultados de um ato da sua bondade. “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação...” (5:18).
A palavra “reconciliar” conforme aparece nesse texto indica transformação completa, isto é, uma mudança no relacionamento com Deus. O que era uma relação de hostilidade passou a ser de amizade. Alguns aspectos podem nos ajudar a entender melhor essa ação de Deus em favor do homem.
1. NECESSIDADE - A necessidade da reconciliação está no fato de que o pecado afastou a raça humana de Deus, colocando-a numa posição de rebeldia e hostilidade contra ele. Nessa condição, todos nós éramos inimigos sem qualquer possibilidade de relacionamento com o nosso Criador. Sendo assim, o desejo, a iniciativa e a ação da reconciliação partiram inteiramente de Deus. Ele desfez a inimizade quando Cristo, assumindo a forma humana, foi “obediente até a morte e morte de Cruz”. Então, por meio dele, fomos aproximados, reconciliados, mudando nossa posição em relação a Deus (5:21). Fomos, assim, feitos amigos de Deus para um relacionamento que só é vantajoso para nós porque não tínhamos nada para oferecer. “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos , morreu a seu tempo pelos ímpios...” (Rm. 5:6).
2. EFEITOS - A morte de Jesus satisfez plenamente a justiça de Deus, porque ele, Jesus que não conhecera o pecado, no sentido de ter uma natureza pecaminosa e experimentado a sua prática, foi ele coberto pelos nossos pecados, respondendo, na cruz, por cada um deles (5:21). Uma vez justificados, podemos andar na presença de Deus e ter comunhão com ele. Nossos relacionamentos com Deus foram apaziguados. É o apóstolo Paulo expressa essa verdade da seguinte maneira: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).
3. IMPLICAÇÃO - A nossa reconciliação com Deus abriu portas para desempenharmos uma tarefa. “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (5:20). Podemos pensar em algumas responsabilidades de um embaixador:
a) Um embaixador é um construtor de pontes ele estabelece contato entre aquele que o enviou e àqueles a quem foi enviado.
b) Um embaixador é comissionado para representar aquele que o enviou Paulo diz que Deus nos confiou a palavra da reconciliação (5:19). Assim, evangelizar é realizar a tarefa comissionada aos embaixadores de Deus.
c) Um embaixador mantém o padrão de conduta daquele que o enviou - Paulo chama isso de cooperar com aquele que o enviou (6:1). O embaixador coopera com Deus de duas maneiras: Cuidando da vida (6:3-10) - Paulo apresenta sua própria experiência; e cuidando dos relacionamentos (6:14-7:1). Quando nós, como cristãos, vivemos de acordo com o padrão de Deus, estamos cooperando no sentido de tornar compreensível a proclamação do Evangelho que deve ser feita com a vida e com a voz.
Queridos irmãos, essa palavra de Deus nos ensina sobre a grandeza da sua bondade que, por meio de Cristo, nos reconciliou consigo mesmo traz ao nosso coração completa segurança, alegria que não é possível expressar e gratidão eterna. “Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida;” (Rm. 5:10).
Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 541 de 03/Jun/2007