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  BOLETIM 543
DE OLHO NO PODER

Vivemos no mundo da conquista onde tudo fascina os olhos, a mente e os desejos do coração. Todo esforço humano tem como objetivo tomar posse de algo ou de alguém. Nesse mundo, dominar é a palavra de ordem; não importando, para isso, os meios e as técnicas. Mas, seria possível viver aqui e não ser contaminado e inflamado nessa busca desenfreada pelo poder? O Senhor Jesus nos mostrou que é possível, desde que haja uma transformação tão radical capaz de mudar os nossos valores. Em vez de vivermos com os valores mundanos, passássemos a viver com os valores do reino dos céus. Um dos textos onde claramente se vê esse princípio é Mateus 18:1-9.
Depois da transfiguração de Jesus, ele e os três discípulos que presenciaram uma das maiores provas da sua divindade, desceram do monte, ao pé do qual, Jesus libertou um jovem possesso por espíritos malignos, então, reunidos aos demais discípulos, partiram pela região da Galiléia para a cidade de Cafarnaum. Andando eles naquela direção, Jesus repetiu o que dissera a respeito dos fatos que iriam lhe acontecer: “O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará”. (Mc. 9:31). Todavia, enquanto Jesus anunciava-lhes a sua morte e ressurreição, eles discutiam e disputavam, entre si, qual deles seria o maior. Quem reunia todas as condições para assumir uma posição de destaque. Como homens, os discípulos abrigavam, no coração, ambições pecaminosas tais como: Desejo de sobressair aos demais, privilégios e poder. O que acontece quando a sede pelo poder ocupa o centro dos pensamentos?
1 - Desconsidera o maior, mais sublime e mais importante de todos os acontecimentos da história
Jesus havia acabado de falar sobre o maior estágio da sua humilhação, a sua morte na cruz, e os discípulos estavam disputando, entre si, o maior estágio da exaltação pessoal deles. O evangelista Mateus até menciona que depois de ouvirem Jesus falar sobre a sua morte, os discípulos se entristeceram (Mt. 17:23); mas, quão rapidamente o pensamento deles viajou da pessoa de Jesus, como centro, para eles mesmos e para as vantagens que poderiam obter. Isso era puro egoísmo, demonstrado por aqueles por quem o Senhor morreria. Seríamos injustos se pensássemos que estamos isentos desse sentimento. É possível estarmos pregando sobre a morte de Jesus, ou mesmo evangelizando, ou ensinando e agasalhar no coração o desejo de posse, de domínio, de manipulação. Isto é estar de olho no poder.
2 - Rejeitar os valores do reino de Deus para viver comprometido com os valores humanos
Os discípulos demonstraram uma forma de pensar que é puramente humana: O maior é aquele que tem privilégios, que se destaca e que tem poder. Jesus então, demonstra para eles como é no reino dos céus. Ele chama uma criança, e com ela, dá-lhes três lições importantes: A) “se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças (simples, franca, obediente, despretenciosa, humilde, confiante e frágil), de modo algum entrareis no reino dos céus”. (18:5). B) “aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus”. (18:4). C) “quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe”. (18:5). No modelo humano, maior é sempre o maior. Aquele que recebe atenção, honra e privilégios; aquele que domina, que leva vantagem, que usa de todos meios para se exaltar e humilhar os outros; aquele que tem poder. No modelo de Deus, maior é o menor. Isto é, aquele que serve, que se humilha, que obedece, que é simples e frágil. Que grande contradição! Jesus disse que isso só é possível se o homem se converter. Então nos lembramos de Jeremias 31:18 que diz: “...Converte-me Senhor e serei convertido, porque tu és o Senhor, meu Deus”. Só mesmo uma conversão ao Senhor pode nos fazer pensar diferente.
3 - Despreza os demais em função de seus próprios anseios
Nos versos 6-9 de Mateus 18, Jesus continua falando sobre quem é o maior no reino dos céus. Entendemos que a proposta de Jesus era que em vez dos discípulos gastarem tempo, energia e conhecimento no esforço de se tornarem o maior, eles deveriam investir suas vidas para não fazer tropeçar um dos pequeninos que criam nele. Fazer tropeçar é o mesmo que fazer pecar. Jesus diz no verso 7 que é inevitável que surjam os escândalos e que é merecedor de dó aqueles que o produzem. A palavra escândalo é a mesma para tentação. Assim, Jesus afirma que aqueles que, por causa da sua própria cobiça, tentam (induzem, estimulam, provocam desejos) em qualquer dos pequeninos que crêem nele, fazendo-os pecar (tropeçar), seria melhor amarrarem uma grande pedra ao seu pescoço e lançá-los ao mar. A idéia é que eles sejam afastados do convívio com os demais para um lugar de onde fosse impossível voltar. Da mesma forma, se a mão, o pé ou o olho de alguém o faz pecar, também deve ser afastado dele. Porque é melhor entrar na vida sem eles, do que com eles ser lançado no inferno de fogo.
O perigo do poder é que, quase sempre, aqueles que chegam a ele não hesitarão em desprezar, manipular e atropelar os pequeninos, os humildes. Jesus nos ensina que no reino dos céus a lógica é invertida; o menor é o maior e aquele que vive por esse princípio, sempre cuidará dos pequenos.
Vale lembrar que, quando alguém está de olho no poder, não consegue ver mais ninguém à sua frente. Glória a Deus que em Cristo somos transformados para sermos como ele é. .

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 543 de 17/Jun/2007