Alguém perguntaria: Pentecostes samaritano? Pode o Espírito Santo se derramar mesmo no meio de um povo teologicamente herético, de religião confusa, um povo eclético, desviado da verdade? Precisamos saber algo sobre os samaritanos: Eram os remanescentes das 10 tribos que tinham se desviado da lei do Senhor, desde a divisão do reino feita por Jeroboão (I Reis 12) misturados com povos estrangeiros levados pelos assírios após levarem as 10 tribos para o cativeiro (722 A.C.). No século IV A.C. os samaritanos criaram sua própria religião construíram um templo no Monte Gerezim, ordenaram seus sacerdotes, desprezaram quase toda a Bíblia (o Antigo Testamento) com exceção da Lei, os cinco primeiros livros. Odiavam e eram odiados pelos judeus. Antes da descida do Espírito Santo em Samaria
Prevalecia o engano, a mentira de Simão (v.9). Era um mágico que iludia o povo e se passava por ser um deus ou um grande vulto. O povo atribuía poderes divinos e o chamava “o poder de Deus”. Certamente como muitos samaritanos, os cristãos ingênuos do Brasil, são iludidos por práticas ocultas e muitas campanhas em nome de Deus. O caráter de Simão
Simão vendo os milagres feitos por Filipe e ouvindo suas palavras, “abraçou a fé” e “tendo sido batizado, acompanhava a Filipe” (v.13). Depois, observando Pedro e João que impunham as mãos e as pessoas recebiam o Espírito Santo. O “crente” Simão ofereceu dinheiro aos apóstolos para receber aquele poder, para impor as mãos e conceder o Espírito Santo aos outros. Pelo que foi repreendido severamente por Pedro e concitado ao arrependimento (v.17-23).
O caráter de Simão e de muitos líderes evangélicos de hoje:
1. Querem o poder de Deus através de princípios pecaminosos, como se fosse um comércio (v.18-19).
2. São religiosos, mas os seus corações não são retos para com o Senhor (v.21).
3. São aparentemente crentes, mas são malignos em suas intenções (v.22-23).
4. Querem poder para ganhar dinheiro.
5. Precisam passar por um profundo arrependimento (v.22).
6. Quando confrontados com o juízo de Deus, ficam com medo (v.24), mas não se arrependem.
Simão é citado pelo escritor Justino Martin no segundo século, que diz que os samaritanos ergueram uma estátua para ele e por Irineu que o apresentou como “glorificado pelos homens, como um deus e como autor de todo tipo de heresias”. Como foi o pentecostes samaritano?
Há uma pergunta inicial: Por que os samaritanos após crer e serem batizados não receberam o Espírito Santo? A Bíblia não explica, mas Deus só concedeu o Espírito quando dois apóstolos judeus desceram de Jerusalém. Certamente o Senhor estava trabalhando pela unidade da igreja e unindo judeus e samaritanos num só corpo, a igreja. Talvez se o Espírito fosse derramado com a pregação do diácono Filipe, que era de origem helênica (grego), os samaritanos não se uniriam aos irmãos de Jerusalém.
Como foi o pentecostes samaritano?
A Bíblia diz quando Pedro e João impunham as mãos era concedido o Espírito Santo, mas não diz se houve o dom de línguas ou barulho ou se eles manifestavam grande alegria. Mas afirma que o Espírito Santo foi concedido aos samaritanos.
O que o Pentecostes gerou em Samaria?
Antes eles estavam seguindo a um mágico, que os enganava, mas “quando, porém deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como mulheres” (v.12). A palavra de Deus sendo pregada com o poder de Deus gerará mudanças em qualquer povo ou cultura. O que um homem ou mulher cheios do Espírito fazem?
1. Evangelizam (v.5 e 25). A ação do Espírito sempre é no sentido de alcançar os perdidos, edificar os crentes.
2. Realizam sinais e prodígios (At 6:8; 8:6).
3. Defendem a fé com sabedoria (6:10).
4. Exercem autoridade sobre os demônios (8:7)
O que é o batismo do Espírito Santo?
Há uma grande divisão entre tradicionais e pentecostais. Os tradicionais afirmam o batismo do Espírito é o novo nascimento, é a conversão. Os pentecostais ensinam que a conversão é a primeira experiência com o Espírito e o batismo do Espírito Santo é a segunda experiência e é acompanhada do falar em línguas. Por 2.000 anos os teólogos não chegaram a uma declaração que satisfaça os dois lados. Nosso interesse não é discutir esse assunto aqui, o faremos no momento oportuno, o que nos interessa não é se é uma primeira ou segunda benção, mas viver diariamente no controle do Espírito Santo, e desfrutar do fruto do Espírito: Amor, alegria, paz, longaminidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Quem é cheio do Espírito trata bem sua esposa, filhos, os irmãos, os de fora. Também não perde oportunidade de evangelizar, ensinar, fazer boas obras. As evidencias de alguém cheio do Espírito
a) Ama a palavra de Deus. Lê, medida e compartilha com outros (Sl 119:97-100).
b) Tem prazer em orar. Ficar a sós com Deus orando e meditando é um presente divino (Mc 1:35).
c) Trata bem o seu próximo, a começar pelo cônjuge e os filhos (Ef 5:22-29).
d) Guarda os seus lábios de criticar outros.
e) Ama a verdade e vive com integridade.
f) Tem autoridade espiritual (At 8:6-7).
g) Tem uma linguagem de louvor e ações de graças (Ef 5:18-19).
Que o Senhor nos ajude a gastar tempo com Ele, com sua santa Palavra para recebermos poder para ministrar aos homens.
Pr. José João Mesquita Publicado no Boletim 553 de 26/Ago/2007