BOLETIM 561

O PODER QUE SALVA

A forma portuguesa, da palavra poder, vem do latim posse, “ser capaz”. Nesse sentido, o poder consiste na capacidade de agir. Quando se refere a Deus, como aquele que tem todo poder, o termo aparece no Antigo Testamento de diversas formas. As mais usadas são: Koach, Oz e Geburah; que expressam respectivamente: Ser firme e agir vigorosamente; força, segurança e majestade; e valor, força e domínio. No Novo Testamento dois termos são mais usados: Dynamis que pode significar habilidade para agir poderosamente realizando milagres e Exousia significando “autoridade” ou, mais especificamente, aquele que tem autoridade sobre a terra e sobre o mundo dos espíritos. É dessa maneira que Jesus se apresenta em Mateus 28:18: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”.
Toda manifestação do poder de Deus nas Escrituras não pode ser entendida como uma forma de exibição da força do Senhor, como se ele precisasse disso, nem como um meio de medir forças com os deuses pagãos ou com o reino das trevas. Devemos lembrar que os ídolos nada são por si mesmos (Sl 115) e que o reino das trevas já é um reino derrotado por Cristo (Col 2:15; Heb 2:14,15). Assim, quando houve uma intervenção de Deus, na história, e o seu poder foi manifesto, o destaque é para a pessoa de Deus e para o seu caráter. Quando o Senhor Deus enviou as pragas sobre o Egito, ou quando Elias enfrentou os profetas de Baal (Ex 7-12; 1Rs 18:20-46) e em todos os demais casos a ênfase é que: “Só o Senhor é Deus e todos os deuses do povos não passam de ídolos”. A frase que mais se repete no texto sobre as pragas é: “E saberão que eu sou o SENHOR”. Em João 8:28 Jesus disse aos judeus: “Quando levantardes o Filho do Homem, então, sabereis que Eu Sou...”. Num mundo de intensa religiosidade e de muitos deuses, os cristãos devem demonstrar conhecer o verdadeiro Deus para não serem enganados pelos ídolos ou por aqueles que se imaginam deuses, pois desde o Éden o homem foi contaminado pelo desejo incontrolável de poder.
Continuando a narrativa dos Atos de Deus através da Igreja, Lucas relata no capítulo 12 versos 1-19 do livro de Atos, uma manifestação do poder de Deus, que salva, em contradição com o poder humano que prende, explora e despersonaliza tanto os que o detêm quanto os que estão debaixo do seu domínio.
Agripa I era o Herodes, rei dos judeus, que mandou prender alguns membros da Igreja com a intenção de torturá-los. Foi nessa investida que Tiago, irmão de João, foi morto, fato que agradou aos judeus e serviu de estímulo para que Herodes continuasse exercendo sua autoridade para prender. O apóstolo Pedro fora preso e aguardava sua execução. Queridos irmãos, precisamos destacar algumas lições preciosas desse texto da Palavra de Deus:
1. A intenção de Herodes - Assim como Faraó, no Antigo Testamento, Herodes representava o poder malígno das trevas e o poder humano. O poder de Herodes necessitava de reconhecimento e aplausos. Foi assim que para aumentar sua popularidade, ele resolveu perseguir os cristãos, prendendo e matando(Atos 12:1-4).
2. A igreja orava - Se nos lembramos da oração de Jesus “... Faça-se a tua vontade” (Mt 26:42) e a oração da igreja em Atos 4:28 “... para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram”. Certamente a oração da igreja, naquele momento, era para que o Senhor Jesus realizasse a sua vontade na vida de Pedro. Essa é a oração que demonstra confiança no caráter de Deus, por isso, produz consolo, esperança e adoração (Atos 12:5).
3. Pedro dormia - Apesar de toda a fúria de Herodes, das correntes, dos sentinelas e do cheiro de morte no ar, Pedro dormia. Foi isso que ele viu em Jesus quando estavam num barquinho no meio de uma tempestade. Quando todos estavam desesperados, Jesus dormia na popa do barco como se nada tivesse acontecendo. Ali no cárcere Pedro dormia o sono da consciência limpa, perdoada, lavada com o sangue de Jesus; Pedro dormia o sono da confiança, pois sabia que vivendo ou morrendo estava seguro em seu Senhor; Pedro dormia o sono da esperança e ela não estava em Herodes, mas na ressurreição de Jesus. Ele era o seu Senhor, estava vivo e sabia que ele estava preso; Pedro dormia o sono de quem descansa na vontade soberana de Deus (Atos 12:6).
4.O livramento de Deus - O poder de Deus é absolutamente livre, não precisa da aprovação ou do reconhecimento humano. Assim, o Senhor quis mandar um anjo para libertar Pedro do poder de Herodes. O próprio Pedro reconheceu isso no verso 11 “Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judaico”. O livramento que Pedro experimentou foi milagroso e manifestou a autoridade de Jesus sobre tudo e sobre todos (Atos 12: 9-12).
5. Alegria e consolo - Uma vez livre Pedro dirigiu-se à casa de Maria, mãe de João Marcos, onde um grupo de irmãos estavam reunidos em oração. A volta de Pedro produziu no coração daqueles irmãos alegria, consolo e fortalecimento. Eles podiam continuar confiando e dependendo de Jesus (Atos 12:13-18).
Como crentes, devemos saber que só encontramos livramento do poder das trevas e do poder dos homens, no poder de Deus. Só o Senhor pode manifestar o seu poder de maneira que o conheçamos e o temamos.
Pr. Vanderli Brito

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 561 de 21/Out/2007