Quando é que fazemos reparos na casa ou levamos o carro para a oficina a fim de consertar? Geralmente, quando os sinais de envelhecimento ou de dano se tornam visíveis e a única solução para continuar com eles, seja realizar uma boa reforma. Em muitos casos, a reforma é cara, causa transtornos e leva bastante tempo. Isso só acontece porque fomos deixando, deixando e só começamos a reformar quando não tinha mais jeito.
O século XVI marca o fim da Idade Media e de um período de decadência que atingiu a vida moral, política, econômica e espiritual, especialmente no continente europeu. Os sinais davam conta de que era extremamente necessária e urgente uma reforma. A principal causa de toda aquela situação foi que as pessoas foram deixando de ler e se importar com a Palavra de Deus, e isso foi envelhecendo a vida, estragando os relacionamentos, apodrecendo as estruturas e minando o alicerce espiritual de heresias e práticas pagãs.
Foi naquele momento que Deus levantou homens como Lutero, Zwínglio, Calvino, João Knox e outros, para decretarem a falência de todo aquele sistema que prendia e manipulava as pessoas oferecendo-lhes propostas de uma espiritualidade vazia, prática de rituais que não estão na Bíblia e impondo-lhes exigências que nunca saíram da boca de Deus. O estopim da Reforma Protestante, foi a composição das 95 teses e sua fixação, por Lutero, na porta da Igreja do Castelo, em Wintemberg, na Alemanha, no dia 31 de Outubro de 1517. Esse movimento espalhou-se pela Europa e produziu uma reação sangrenta, por parte da Igreja Romana, chamada Contra-reforma que perseguiu tanto os ideais da Reforma quanto aqueles que os aderiram.
Mas, apesar de toda oposição, os reformadores, usados por Deus, conduziram a muitos de volta a Bíblia, já traduzida para o povo. Essa volta á Palavra de Deus produziu uma mudança na estrutura do pensamento, em face de encontrar nela, respostas para as seguintes questões: Quem é Deus? Quem é o homem? Que é a natureza? Quando estas questões são respondidas á luz das Escrituras mexe com todos os aspectos da vida.
1. Muda o conhecimento de Deus, de si mesmo e da natureza. Deixa de ser filosófico e volta a ser teológico ou, fruto da Revelação. Esse conhecimento, que tem fundamento na Bíblia, estabelece um novo relacionamento do homem com Deus, com o próximo e com a natureza. O apóstolo Paulo já recomendava aos colossenses que não se deixassem enredar pela filosofia, vãs sutilezas, tradição dos homens e rudimentos do mundo mas, fossem influenciados pelo conhecimento de Cristo; pois, nele, habitava, corporalmente, toda a plenitude de Deus (Cl. 2:8,9).
2. Muda a espiritualidade. Deixa de ser uma espiritualidade presa a lugar, dia, rito, líder e repetições e volta a ser uma espiritualidade mediada exclusivamente por Cristo, como diz o autor de Hebreus (Hb 13:15).
3. Muda o critério da salvação. Deixa de ser conquista e livre escolha humana e volta a ser escolha, decreto e graça de Deus (Atos 14:48; Rm. 8:29,30: Ef. 1:3-14). Deixa de ser resultado das boas obras e volta ser, unicamente, resultado da fé na obra de Cristo (Rm 3:21-28; Rm. 5:1,2; Ef. 2:8-10).
4. Muda a natureza da Igreja. Deixa de ser instituição e monumento, sem vida e engessada, e volta a ser corpo de Cristo, organismo vivo e um grande movimento do Espírito de Deus em todas as direções para proclamar as Boas Novas de salvação (Atos 1:8; 2:1-4; 2:42-47; 4:32-35; 1Co. 12:12-27).
Esses e outros princípios resgatados e ensinados pela Reforma agiram como uma explosão transformando a vida, os relacionamentos, a política, a sociedade, a moral, a economia e o desenvolvimento humano.
A Igreja, hoje, apresenta sinais visíveis de abandono da Palavra de Deus e, por essa razão, está voltando a pensar com os referenciais da filosofia. Assim, o Deus Soberano está sendo substituído pelo homem soberano, que pensa que é Deus. Precisamos, urgentemente, nos lembrar da ação dos reformadores: Eles colocaram a Bíblia na mão do povo; a teologia na boca do povo, a igreja na casa do povo e o sacerdócio na responsabilidade dos crentes. O que a Igreja Evangélica tem feito nos últimos anos é: Deixar a interpretação das Escrituras na dependência de qualquer um, por isso muita gente está dizendo que Deus disse o que Ele nunca disse, gerando toda sorte de confusão. Trancar a teologia nos manuais, como se isso fosse uma maneira de preservá-la, por isso o povo ora, canta e prega uma teologia herética. Cultuar a Deus apenas nos templos dissociando a fé da vida, por isso, nos domingos, os crentes estão nos templos mas, durante a semana estão nas baladas, nos motéis, nos bares e fazem todo tipo de negocio que desagrada a Deus. Tornar os crentes em meros espectadores de programas afastando-os de suas responsabilidades como sacerdotes do Deus Altíssimo, por isso se satisfazem com entretenimentos e shows evangélicos.
Na Bíblia, as Reformas são chamadas de 'Renovação da Aliança'. Uma dessas Renovações da Aliança aconteceu nos dias do rei Josias (2Rs 23). Naqueles dias, o povo estava vivendo uma de suas maiores crises. Os dois reis anteriores, Manassés e Amom, foram idólatras e pagãos, fazendo o povo se afastar de Deus e se perder em meio ao pecado.
Quando o Livro da Aliança do Senhor, que estava perdido no templo, fora encontrado e Josias tomou conhecimento do seu conteúdo, desencadeou-se uma série de transformações na vida, no culto, no templo, nas festas e na política do povo de Deus. A Renovação da Aliança com o Senhor, por meio da sua Palavra, trouxe de volta á vida, o conhecimento e as promessas de Deus para o seu povo.
Queridos irmãos, se queremos uma Renovação da Aliança com o Senhor nosso Deus é necessário voltarmos à sua Palavra, pois, voltar para sua Palavra é voltar pra Deus e para as suas promessas. Prontos pra Reforma?
Pr. Vanderli Brito Publicado no Boletim 562 de 28/Out/2007