BOLETIM 577

RELIGIÃO PURA E RELIGIÃO FALSA

O livro de Tiago parece com alguns livros de sabedoria do A.T. (Jó, Provérbios e Eclesiastes): O livro estabelece o confronto necessário entre sabedoria verdadeira e a falsa, sobre a fé verdadeira e a falsa, sobre o eu carnal e o eu espiritual e sobre confiança verdadeira e a falsa. O autor tinha em mente os crentes fiéis que são um exemplo da religião pura, que passam por provações.
O livro parece muito com o Sermão do Monte, pelo seu aspecto prático, e resume as ênfases do Antigo Testamento: Justiça Social e Pureza Moral.
A carta é uma chamada a igreja do Senhor para viver as implicações práticas do verdadeiro cristianismo;
1) A fé deve ser pura porque ela vai ser provada (Tg 1:2-4); você precisa de sabedoria para vencer a provação? Então peça com fé. Uma fé simples e pura e não duvide (1:5-8); os que têm fé vacilante (1:7-8) não recebem sabedoria porque são inconstantes;
2) seja um praticante da Palavra e não simplesmente um ouvinte. O ouvinte se esquece da Palavra rapidamente;
3) Tenha cuidado com a sua língua - O que guarda a boca e a língua guarda a sua alma das angústias (Pv 21:23) a nossa língua é fogo; é mundo de iniqüidade, contamina todo o corpo, põe em chamas toda a carreira humana...(Tg 3:6); quem fala o que não deve engana o próprio coração, que já é enganoso. Como diz o sábio no muito falar não falta transgressão (Pv 10:19).
Ninguém é capaz de domar sua própria língua, pois é mal incontido, carregado de veneno mortífero (Tg 3:8), mas é possível refreá-la. Se você quer ter dias felizes, refreie sua língua do mal, e evite que seus lábios falem dolosamente (IPe 3:10).
Seja pronto para ouvir e tardio para falar tardio para se irar.
Nossa mansidão e longanimidade é medida pela nossa capacidade de refrear a língua.
Podemos encorajar, consolar, edificar pessoas pelas nossas palavras, também podemos destruir, desanimar e ferir pessoas com nossa língua.
Do fruto da boca o coração se farta, do que produzem os lábios se satisfaz. A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.( Pv 18:20-21)
4) Seja misericordioso A verdadeira prova de uma religião é o amor e a obediência. Tiago nos dá um modo de medir nosso compromisso com Deus e Pai: “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações”.
O próprio Deus se apresenta com o Pai dos órfãos e juiz das viúvas Sl 68:5. Religião sem compromisso com os fracos não procede de Deus, é vã e vazia. Os órfãos e as viúvas são um tipo de pessoas que se encontram desamparados neste mundo. Também as crianças pobres de Manaus e do interior do amazonas, os órfãos de Moçambique, os milhões de pobres de Angola, as crianças vendidas pelos pais na índia que geralmente são exploradas sexualmente e depois jogadas na rua.
Deus chama seu povo a deixar de fazer o mal e aprender a fazer o bem “atendei a justiça, repreendei ao opressor, defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Is 1:17)
5) Seja puro - “E a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”. Não se deixar corromper com os padrões do mundo é uma vitória dos fieis, dos verdadeiros, ainda que alguns fiéis podem eventualmente cometer graves erros, mas não permanecem no pecado.
Não seja inconstante, nem apenas ouvinte, mas cresça na fé para enfrentar as provações, e receba pela fé sabedoria para passar pelas provações.
Jesus teve um confronto com os Fariseus, por causa de suas posturas hipócritas, pois professavam uma fé reta e viviam uma vida torta (Mt23)
Seja autêntico e misericordioso com os fracos. Quem se compadece dos desamparados se torna parecido com Jesus e quem dá aos pobres empresta a Deus (Pv 19:17) Quem se compadece dos pobres é feliz (Pv 14:21) e o que oprime ao pobre insulta aquele que o criou (Pv 14:31)
Feliz o que se compadece dos necessitados. “Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o SENHOR o livra no dia do mal. O SENHOR o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O SENHOR o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama”(.Sl 41:1-3)
Deus o ajude a praticar Sua Palavra

 

Pr. José João Mesquita
Publicado no Boletim 577 de 10/Fev/2008