BOLETIM 579

RICOS E POBRES

Dois mil anos se passaram e a carta de Tiago parece escrita ontem para nós. No capítulo 2:1-13 trata do velho, novo e atual problema: Como a igreja trata ricos e pobres.
Vivemos numa sociedade capitalista e, portanto consumista, em que as pessoas são avaliadas pelo que tem e não pelo que são. A competição pelo ter. O ser para ter e, o ter mais para ser reconhecido.
Vivemos na época em que 80% dos testemunhos na TV são sobre como ter, vencer e ganhar, comprar e prosperar. Deus quer que você vença e prospere, mas, a fé não está focada na Bíblia para eu ter e sim para eu ser.
Em todas as sínteses bíblicas sobre a vontade de Deus, Ele nos exorta a sermos justos, humildes, amorosos, misericordiosos, cheios de fé e esperança, paciência e virtudes semelhantes por exemplo: “Ele declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq. 6:8). “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas”. (Mt 23:23).
O apóstolo Tiago, certamente, estava tendo notícias sobre o comportamento do povo de Deus, o que o fez escrever esta carta com um tom bem prático.
No texto que estamos estudando Tiago ensina:
1) Não se deve fazer distinção entre ricos e pobres (v.1-4). O texto dá a entender que é viver a fé pelas aparências. Um está bem vestido, anéis de ouro nos dedos, bem apresentado, aparentando sucesso, vitória e riqueza. E por causa de suas vestes de luxo, e suas jóias caras é bem recebido, colocado em lugar de honra, tratamento VIP. O outro, o pobre e mal cheiroso (andrajoso), é tratado de maneira humilhante: Ou fica em pé ou senta no chão perto dos meus pés.
2) Esta distinção é desobediência à Palavra de Deus e é, portanto, um grave pecado (v.8-9). Pecado, porque quebra o principal mandamento do relacionamento: O amor ao próximo.
3) Quem faz distinção está julgando entre um e outro, motivado por perversos pensamentos (v.5-6). Isto é discriminação e dá até cadeia na legislação brasileira.
Quais são os perversos pensamentos?
a) Tratar o rico como se ele fosse mais importante que o pobre.
b) Tratar bem o rico esperando receber algo em troca. É tratar os outros por interesse.
c) Desprezar o pobre é ofender a Deus (v.5-6). Porque Deus escolheu os pobres para serem ricos em fé e herdeiros do reino de Deus.
Deus tem um cuidado especial com os pobres, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros e quem se compadece deles recebe bênçãos de Deus. Vejamos alguns versos sobre eles: “O que se compadece dos pobres é feliz”. (Pv 14:21b). Por que feliz? Porque Deus dá alegria a quem pratica boas ações. “O que escarnece do pobre insulta ao que o criou”. (Pv 17:5a). Se o crente menospreza o pobre insulta a Deus. “O que tapa os ouvidos ao clamor do pobre, também clamará e não será ouvido”. (Pv 21:13). “Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o perverso nos seus caminhos, ainda que seja rico. O homem rico é sábio aos seus próprios olhos. Mas o pobre que é entendido sabe sondá-lo”. (Pv 28:6, 11). Os ricos estavam oprimindo os pobres, arrastavam para os tribunais, e blasfemavam o nome de Deus.
Todos nós, homens, mulheres, jovens e adolescentes, precisamos melhorar muito a maneira que estamos recebendo nossos visitantes. Se estivermos fazendo distinção entre pessoas, estamos pecando contra Deus e precisamos nos arrepender e mudar urgentemente.
4) Quem julga os outros sem misericórdia também será julgado sem misericórdia (v.13). Jesus ensinou no Sermão do Monte “não julgueis para que não sejais julgados, pois com o critério com que julgardes sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Mt 7:1-2).
Também Jesus nos ensinou como devemos tratar os outros: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei, e os profetas”. (Mt 7:12). Este texto é chamado de Lei Áurea (Lei de ouro) ou regra de ouro do evangelho.
Tiago nos concita a viver pela lei régia: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v.8). Esta é a lei que deve reger, governar aqueles que são de Cristo. Todos nós vamos prestar contas a Deus do que fizemos de nossa vida (II Co 5:10). Tiago também chama a lei do amor, de lei perfeita, lei da liberdade (1:25-26 e 2:12).
O apóstolo João diz que: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. (I Jo 4:7-8).
Você já nasceu de Deus? Conhece a Deus?
Que o Senhor nos ajude a praticar sua Palavra.

Pr. José João Mesquita
Publicado no Boletim 579 de 24/Fev/2008