A língua é extremamente necessária, como um dos órgãos responsáveis pela fala. Por meio dela nos comunicamos, verbalmente, com as pessoas à nossa volta. Mas, muitas vezes já nos envergonhamos por uma palavra dita às pressas, sem refletir, ou com raiva e até pra pessoas inocentes. Quando demos conta do que tínhamos feito, já era tarde demais. Só nos sobrou a vergonha de ter dito o que não deveríamos. Palavras faladas são como flechas atiradas, o destino delas é o alvo e não tem como fazê-las voltar. Ou, como um saco de penas que alguém solta de um lugar alto, pois, batendo nelas o vento, será impossível juntá-las novamente.
Se for possível, antes de continuar, leia Tiago 3:1-12, texto base deste editorial.
Tiago, irmão de Jesus e líder da igreja em Jerusalém, é o mais provável escritor dessa carta. À semelhança dos demais escritores do Novo Testamento, Tiago foi inspirado e guiado pelo Espírito Santo a fim de transmitir o ensino capaz de corrigir os desvios no meio dos cristãos. Tiago, como um pastor que se importa com as ovelhas, demonstra preocupação em face da possibilidade de estarem tropeçando, literalmente “bater contra” ou “golpear contra”. O problema era que os crentes, aos quais Tiago chama de irmãos, estavam se ferindo com golpes terríveis desferidos com a língua.
No texto citado, somos convidados a meditar nas seguintes considerações:
1. A língua é instrumento de morte - Nos versos 5 e 6 Tiago usa duas expressões fortíssimas para falar da língua. Primeiramente ele diz que a língua é fogo. Isto indica seu alto poder de destruição. O que a língua diz pode destruir pessoas e seus relacionamentos. Em segundo lugar, ele acusa a língua de “contaminar”; esta expressão significa: profanar, manchar, sujar e corromper. Na lei cerimonial, qualquer coisa contaminada não podia ser oferecida a Deus e nem mesmo permanecer no altar do Senhor. Nesse sentido, a língua pode contaminar uma pessoa ou um grupo de pessoas com mentiras e difamações sobre alguém, afastando-as de Deus. Devemos lembrar que aquele que contamina e aqueles que são contaminados devem ficar fora do altar do Senhor.
2. A língua é indomável - Para demonstrar a dificuldade no controle da língua, nos versos 3 e 4, Tiago se utiliza de duas figuras: o cavalo que, com freio na boca, se torna obediente e o navio que, por meio do leme, é conduzido com facilidade pelo timoneiro. Então, nos versos 7 e 8 ele diz que o homem é capaz de domar toda espécie de feras, aves, répteis e animais marinhos mas, não é capaz de domar a língua.
3. A língua é incompreensível - Na seqüência dos versículos 9 a 12, Tiago menciona um fato estranho, mas real. Ele diz que a mesma língua que louva a Deus, também amaldiçoa aqueles que foram criados à semelhança de Deus. A mesma língua profere bênção e maldição. Isso é tão incompreensível que pode ser comparado a uma fonte que, ao mesmo tempo, jorra água doce e amarga ou, doce e salgada; ou como uma figueira que produzisse azeitonas ou, ainda, uma videira que produzisse figos.
Diante dessas considerações, Tiago faz as seguintes advertências:
a) Os crentes que pensavam saber mais estavam na mira de Deus. No verso 1 Tiago diz: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo”. Era a partir daí que começavam a ser lançadas as flechas da arrogância, do orgulho, da opressão, do desprezo.
b) Os crentes estavam pecando pelo uso inconveniente da língua. Em Provérbios 6:16-19 Salomão afirma que há seis pecados que Deus aborrece e há um que a sua alma abomina. Desses sete pecados, três dizem respeito à língua, são eles: a língua mentirosa, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos. Tiago deixa claro que, por meio da língua, o povo de Deus estava sendo contaminado.
c) Os crentes tinham o dever de refrear a língua. A idéia de refrear é fazer parar, conter ou, impedir de fazer o mal. O apóstolo Pedro em sua primeira carta, no capítulo 3, verso 10 escreve o seguinte: “Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente”. Já que não era possível domá-la, era necessário fazê-la parar de causar destruição.
Queridos irmãos, talvez vocês esteja se perguntado: Ora, se a língua é instrumento de morte, é indomável e incompreensível, o que fazer para destruir o seu poder? Então, deixem-me dizer-lhes algo. Quando alguém cava um poço, o faz na esperança de encontrar água pura. A garantia de que ele terá água pura não estará na bomba que puxará a água, mas se ele cavou até encontrar um lençol de águas puras. Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração. É verdade que não podemos domar a língua, mas podemos encher nosso coração da palavra de Deus, então, teremos destruído o poder da língua. Quem sabe você esteja precisando mudar seus hábitos e começar a ler a Bíblia diariamente, freqüenta a Escola Bíblica, participar de um grupo familiar, participar dos cultos e reunir sua família para ler a Bíblia e meditar nela. Comece hoje! Deus te abençoe.
Pr. Vanderli Brito Publicado no Boletim 581 de 08/Mar/2008