Estudo, trabalho, dinheiro, casamento, filhos, profissão, profissionalização, cursos de aperfeiçoamento, mais dinheiro. Concorrência, mercado, concursos, vencer outros candidatos. É a luta pela vida. "Que vença o melhor"! Nessa luta nos machucamos muito, e se não tomarmos cuidado, feriremos outros. Tudo isso para que? Um nome melhor? Mais reconhecimento? Uma velhice e aposentadoria tranqüilas? Um jornalista famoso descreveu o que ele chamou de "embriaguez do poder". Políticos que perderam eleições, e continuam nos mesmos ambientes como se tivessem as mesmas posições e poder. Nosso desejo de grandeza nos coloca em situações ridículas.
A Bíblia tem muito a dizer a respeito. Mas um dos mais conhecidos textos é o de Tiago 4:1-10. E é daqui que tiramos nossas idéias para esta meditação. A amizade que nos destrói e a amizade que nos exalta. A amizade que nos destrói. "Não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus?". O mundo é um termo bíblico para indicar um sistema, e não um lugar. Um sistema de procura de grandeza, prazer, realização pessoal, independente de Deus, sua vontade e sua palavra. É aquele sistema que promete: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares." Mt 4:9. Ninguém se importa com quem diz, e nem mesmo percebe sua presença, promessa ou influência. O que se ouve e o que importa é: "tudo isso te darei", disfarçado pela idéia do "tudo isso conquistarei", ou "tudo isso conquistei com o meu trabalho, com o meu esforço"! O homem mais poderoso do mundo de sua época, Nabucodonosor, vendo as maravilhas de suas realizações, declarou: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade"? Por ter esquecido uma prévia advertência de Deus, ouviu: "Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais... até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer". Dn 4:30 e 32. Todas as suas conquistas ou tentativas pessoais de sucesso sem Deus, terão e lhe darão destino parecido. A amizade que nos exalta. Se a amizade do mundo nos destrói, a de Deus nos exalta. Mas temos que entender e aceitar suas reprovações, nos arrepender do modo como ele falou. Se eu me tornei amigo do mundo, pratiquei adultério, e me tornei infiel. Fiz guerras para conquistar, não orei, ou se orei, orei mal, por estar movido por cobiça e desejo de que os meus prazeres fossem satisfeitos. E o pior de tudo, me tornei inimigo de Deus e provoquei seus ciúmes, que em nada se comparam a ciúmes humanos. Quando a Bíblia chama Deus de zeloso, sempre há uma ameaça de punição. Êx 20:5; Êx 34:14; Dt 4:24; 5:9; 6:15. Entendendo que ferimos e ofendemos a Deus, temos um caminho a percorrer de volta. E é neste caminho que Deus nos quer para poder nos abençoar. E o caminho da bênção consiste em: Reconhecer a soberba. Qualquer sombra de exaltação nossa deixa Deus no outro lado. Contra nós.
Escolher o caminho da humildade. É para os humildes que Deus dá a sua graça e é bom demais saber que ele quer dar a sua graça. V. 6. Submeter a Deus e resistir ao diabo. Não há atitude passiva, submeter a Deus inclui tudo o que está escrito nos próximos versículos, ou seja: Chegar a Deus, purificar as mãos, limpar o coração. E as ordens continuam: Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará. Tg 4:7-10. Deus quer nos exaltar. Diferente do que é a grandeza do mundo, engrandecer-nos pela humildade.
Pr. João Chrysostomo de Oliveira Jr. Publicado no Boletim 586 de 13/Abr/2008