Você o quer dentro ou fora? Quer ser amigo dele ou de Deus? Ele tem conquistado muitos amigos, tornando-os inimigos de Deus. Creio que o maior prazer dele é fazer com que algum de nós cumpra o seu projeto: "verás se não blasfema contra ti na tua face". Jó 1:11 O que Satanás mais queria, era arrancar de Jó uma blasfêmia contra Deus, como para dizer: Aí está teu servo em quem confiaste, perdeste! Nenhum de nós, em sã consciência diria: "eu quero ser amigo do diabo". Mas infelizmente, se você não tomar cuidado acaba se tornando presa dele. E como tal, amigo do mundo e inimigo de Deus. O sistema dele é também, e principalmente eclesiástico, isto é ele se dá muito bem com todos os sistemas religiosos, especialmente quando esse sistema quer ser fiel a Deus. Ele procura todos os meios possíveis para sugerir, e influenciar, basta que alguém lhe abra oportunidade.
Blasfêmia. "Contra Deus não blasfemarás, nem amaldiçoarás o príncipe do teu povo". Êx 22:28 A palavra blasfêmia e o verbo blasfemar aparecem em nossa Bíblia 64 vezes e a primeira vez é esta. Não blasfeme contra Deus nem amaldiçoe seu príncipe. Nós sempre limitamos blasfêmias, achando que são palavras dirigidas contra Deus. Mas até no dicionário Aurélio, você lê: "Palavras que ultrajam a divindade ou a religião. Ultraje dirigido contra pessoa ou coisa respeitável". No texto de Êxodo 22: 28 a palavra hebraica para blasfemar contra Deus é qalal e aqui significa "tornar desprezível, amaldiçoar". Entretanto Deus e o príncipe estão no mesmo verso. Não temos o direito de pensar que podemos estar bem com Deus e ao mesmo tempo falar mal de outros
Blasfemar, amaldiçoar, falar mal e julgar. Os acusadores da mulher adúltera estavam parcialmente certos. Mas só meio certos. E quem está meio certo está meio errado, e como não existe meio certo nem meio errado, eles estavam errados. A lei ordenava: "Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera". Lv 20:10 Onde estava o homem? Porque só a mulher? E havia um assunto também muito sério. Quem poderia condenar alguém à morte era o poder romano, não o poder religioso judaico. Jesus jamais poderia condenar alguém ao apedrejamento. Eles queriam acabar com Jesus. Mas há uma linha que une as palavras acima. Em todas elas a pessoa contra quem nos dirigimos, normalmente na ausência, para nós é uma pessoa menor, seja socialmente, financeiramente ou espiritualmente. Aí nos complicamos. Quando Tiago diz: "Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?" Tg 4:11-12. Falar mal ou julgar, nos coloca em uma posição superior, e é dessa posição de perigo que Deus quer nos livrar.
Nossas possibilidades de lucro (e, "se Deus quiser"). Sempre queremos ganhar. E temos o direito de fazer planos. (Pv 16:1, 3 e 9). Mas sempre haverá a possibilidade de que nossos planos tenham falhas e não funcionem. Por isso Deus fala por Tiago: "Devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo". 4:15. Deus tem muito o que dar. Mas não posso me sentir superior aos outros ou a Deus.
Pr. João Chrysostomo de Oliveira Jr. Publicado no Boletim 587 de 20/Abr/2008