BOLETIM 588

O PERIGO DE AMAR A PROVISÃO MAIS QUE O PROVEDOR

Este tema que Tiago nos trás, poderia ser a manchete da epístola ou de um grande jornal. Afinal, estamos sendo assolados pelo amor à riqueza, em detrimento do Criador, onde o dinheiro passa a ser um objeto de adoração. Depois de ter nos ensinado que a fé deve ser vivida na prática, de ter advertido os ricos que levavam os irmãos ao tribunal, e antes de ensinar sobre a verdadeira paciência cristã no vs. 7, Tiago dá um grito de justiça a homens que em vez de possuírem dinheiro eram possuídos por ele. Lembremos de Tiago 4:17 - “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando”. O apóstolo nos ensinou que não fazer o bem é pecado e logo a seguir chama a atenção dos ricos e pede a eles que chorem e lamentem, um grito profético como uma mensagem do antigo testamento, clamando por justiça social. Tiago denuncia os ricos, os quais em nenhum momento os chama de irmãos, como fez todas às vezes ao dirigir-se a igreja. O modo opulento e corrupto, como os ricos estavam se comportando, depõe contra a base da fé cristã. Não é pecado ser rico, na verdade pode ser bênção (Deuteronômio 8:18) antes, te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque é Ele que te dá força para adquirires riquezas. A riqueza do cristão deve ser para o Rei e nunca um laço para a escravidão da luxúria. O dinheiro pode ser mais que a moeda de valor monetário, pode ser um deus adorado, pode ser o motivo de destruição, distorção, mentira, divórcio, suborno, etc.
1- A riqueza corrupta corrói. Tiago fala que os ricos que ajuntam riquezas ilícitas enfrentarão o inevitável juízo de Deus (5.1), estes ricos estavam retendo o salário dos trabalhadores com fraude (5.4), em contraste com os ensinos da verdade onde o crente honesto, paga suas dívidas e não explora as pessoas, lembrando que seu Senhor é juiz reto. Na antiguidade, roupas finas eram vistas como símbolo de posição social e Tiago faz uma metáfora escatológica, como alguém que está indignado, ensinando os verdadeiros valores da vida, que muda e está acima de qualquer proposta filosófica. A veste destes ricos simbolizava a corrupção e assim como a praga das traças que destrói as roupas, estas atitudes eram um testemunho contra eles, pois eram o aviso do fogo do juízo que devora eternamente, assim a riqueza injusta é um meio de destruição aos que ficarão desnudos diante da verdade. É hilário pensar que a riqueza juntada de forma injusta, durante a vida, seja para a condenação miserável de pecadores que apodrecerão no inferno. O ouro que desbota e a prata que corrói, agora são usados para ensinar que o depósito que envelhece expõe a falta de verdadeiros valores servindo de julgamento aos ricos que deixaram de pagar seus trabalhadores de forma justa, é um grito de liberdade em um tempo de escravidão, onde o senhor que possui mais escravos é o dinheiro, que poderia ser um bom servo, mas se tornou um péssimo patrão.
2- O controle da corte sentencia para o juízo vindouro (5.6a), a lei "quem tem o ouro faz a regra" estava em pleno vigor, a riqueza estava sendo empregada para a maldade, a distorção fazendo com que pessoas pobres fossem exploradas, fazendo uma escravidão além da conhecida, onde ricos eram escravos da maldade, luxúria e riqueza. Então Tiago adverte que tais pessoas estavam surdas, porque não ouviam que o salário retido constitui se em um grito aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Este termo, “Senhor dos Exércitos” relacionado a Deus, é comum no antigo testamento invocando o Senhor Deus como juiz, portanto a distorção do direito é um erro eternamente fatal. Os ricos estavam cometendo distorções abusivas e absurdas:
A) acumulavam de forma avarenta - pessoas que pensam que viverão eternamente na terra e se esquecem dos céus, ainda que suas almas miseráveis gritem, elas não escutam porque estão surdas para as verdades eternas (Tg 5:3).
B) praticando a injusta distribuição de renda - não apenas armazenavam, até dar ferrugem, como ajuntavam o que pertencia aos trabalhadores, aumentando a pobreza (Tg 5:4).
C) estavam na luxúria e os pobres morrendo - A palavra luxúria só aparece esta vez no Novo Testamento, e tem o sentido no original de "extravagante conforto", e a palavra "prazeres" tem o significado de prazeres e vícios, pessoas viciadas em ter, mas que nunca foram, nunca serão porque não percebem o verdadeiro valor em Deus de ser e buscam apenas o ter, para massagear o ego (Tg 5:5).
3 - Qual o verdadeiro destino de quem ama a riqueza? A riqueza é efêmera, e pode corroer o caráter, atrair juízo, causando enormes perdas de oportunidades, até culminar no juízo eterno de Deus. Afeta a vida de pessoas que não vêem a vida passar, apenas passaram na vida e acabaram no esquecimento de uma lápide. Meus irmãos, ao lermos Tiago, algumas vezes temos a impressão de que ele está vivo. Suas idéias e ideais cristãos continuam sólidos e pertinentes em nossos dias. Ainda hoje, mesmo dentro do cristianismo, pessoas continuam adorando posição, buscando status, através de meios corruptos. Os mesmos que às vezes condenamos na política, praticamos no dia-a-dia, quer seja; mentir na declaração de imposto de renda, fazer "gatos" na instalação elétrica ou colar na prova, todo tipo que fomenta a corrupção nas bases. A corrupção é endêmica em nossa sociedade, onde o dinheiro compra votos, compra o direito, posição, lei e justiça, compra tudo, menos à dignidade de uma vida genuinamente cristã. Os direitos comprados não passam de coisas temporais, mas mesmo assim muitos buscam esses direitos para serem senhores de suas vidas. Pessoas que têm posses e nada mais acumulam para o dia do juízo, não fazem nada de relevante, trocam o importante, pelo passageiro e egoísta prazer hedônico. Pessoas boas que não investem no reino de Deus, apenas tentam criar o seu reino na terra e por este motivo temos pessoas mais ricas que países; e tão miseráveis que destroem a própria família. Nenhum sucesso compensa este fracasso.

Pr. Alcedir Sentalin
Publicado no Boletim 588 de 27/Abr/2008