BOLETIM 592

O VALOR DE UMA ALIANÇA

Ao ler no título deste editorial a palavra aliança, é possível que, imediatamente, alguns façam uma associação desta palavra com a jóia de ouro, prata, ou agora na versão mais ecológica, feita de caroço de tucumã e usada no dedo anelar da mão direita, para os noivos e, no da esquerda para os casados. Na verdade o que chamamos aliança e usamos no dedo é apenas um anel que serve de penhor ou garantia de uma aliança estabelecida. Desde a antiguidade quando duas ou mais pessoas estabeleciam um pacto, elas selavam esse pacto oferecendo algo que servisse de garantia e de lembrança daquilo que foi prometido. Assim, todas as partes envolvidas ficavam comprometidas com o acordo que fizeram.
Mas, o que é Aliança? Na Bíblia, o termo usado no hebraico para aliança é berith e no grego é diatheke. O significado mais próximo do original é Pacto, Liga, Concerto. No ensino bíblico sobre aliança três aspectos são importantes e merecem ser mencionados:
1. A aliança que Deus estabelece. Neste sentido, aliança toma o significado de testamento que significa uma decisão irrevogável, isto é, que não pode ser cancelada ou anulada. Um dos textos que nos ajudam a compreender esse aspecto é Gênesis 17:1-8. Observe o seguinte: a) Deus é quem faz o pacto e Ele é completamente diferente de Abraão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso” (17:1). Então, aliança aqui não pode ser entendida como acordo ou contrato que é feito entre pessoas iguais; b) O conteúdo do pacto: ... “para ser o teu Deus e da tua descendência” (17:7). Deus decidiu que Abraão e a sua descendência estivessem ligados a Ele; c) As promessas: “Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações, e reis procederão de ti ... Dar-te-ei e à tua descendência as terras das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua” (17:6,8). Essas promessas foram incluídas no pacto como benefícios para aquele com quem está sendo feito o pacto; d) Garantia: “Quanto a mim, será contigo a minha aliança” (17:4). Deus toma sua própria fidelidade e jura por si mesmo que cumprirá o pacto; e) Implicação: “Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão” (17:5). Abraão teria que conviver com essa mudança de nome e toda vez que ele fosse mencionado, se lembraria que ele e toda a sua descendência estavam ligados, isto é, em aliança com Deus.
2. A aliança que Deus testemunha. Embora seja uma aliança feita entre duas pessoas em condições iguais, o fato de ter uma testemunha dá a ela o reconhecimento da lei. Todavia, em Malaquias 2:14-16 o Senhor Deus está reprovando a atitude desleal dos homens do seu povo que estavam repudiando a mulher com a qual se tornaram uma só carne. Quando diz que Deus foi testemunha da aliança isso muda a idéia de que casamento podia ser um simples contrato ou acordo entre um homem e uma mulher. O termo aliança permanece com o mesmo significado de pacto e liga. Portanto, aquilo que os homens de Israel estavam fazendo com suas mulheres foi reprovado por Deus, como tentativa de revogar um pacto. Então, O casamento significa que um homem está ligado à sua mulher por um pacto que foi testemunhado e aprovado por Deus.
3. A aliança que Deus condena. No Antigo Testamento há um grande número de passagens nas quais, Deus proíbe o seu povo de entrar em aliança com nações pagãs porque elas perverteriam o coração de seus filhos. No Novo Testamento o texto que melhor expressa esse cuidado de Deus é 2 Coríntios 6:14-7:1. Nesta passagem o apóstolo Paulo chama atenção dos crentes para não entrarem em aliança ou pacto com os incrédulos. A mesma idéia de aliança está neste texto: “Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (6:16). Se um crente faz um pacto com um incrédulo estará ligado a ele e fatalmente acabará pensando como ele e agindo como ele. Todavia, não deve ser por causa das conseqüências que devemos fugir da comunhão com os incrédulos, mas porque o Senhor nosso Deus nos proíbe: “Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.” (6:17,18).
Amados irmãos e irmãs, nestes dias, o povo de Deus tem sido desafiado a dizer não aos pactos com os incrédulos; pois, esses pactos são laços, armadilhas para ligar os filhos de Deus a sistemas malignos; precisamos estar atentos porque muitas vezes tudo começa por um namoro com incrédulo e, em seguida, a aliança do casamento. Muitos pais estão concordando e abençoando esses relacionamentos; e ainda querem que os líderes façam o mesmo. Mas, como podemos abençoar aquilo que Deus condena? Precisamos nos lembrar que obedecer é sempre o melhor caminho.

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 592 de 25/Mai/2008