BOLETIM 596

TENDO UMA VIDA EM COMUM - Cl 3:15; Sl 133:1

A vida foi feita para ser partilhada. Deus quer que vivamos juntos. A Bíblia chama essa experiência compartilhada de comunhão. Hoje em dia, entretanto, a palavra perdeu grande parte de seu significado bíblico. “Comunhão” ou “confraternização” hoje se refere normalmente a uma conversa casual, uma atividade social, comida e diversão. A pergunta “Onde você busca comunhão [congrega]?” significa “Qual igreja você freqüenta?”. “Ficar para a confraternização [comunhão]” normalmente significa “esperar pelo lanche”. O corpo de Cristo, assim como seu próprio corpo, é na verdade um conjunto de muitas pequenas células. A vida do corpo de Cristo, tal qual o seu corpo, está contida no interior das células. Por essa razão, todo cristão deve estar envolvido em um pequeno grupo dentro de sua igreja; seja um grupo de comunhão nos lares, seja uma classe de escola dominical, seja um grupo de estudo bíblico. É ali que ocorre a verdadeira comunhão, e não nas grandes reuniões. Se você imaginar sua igreja como um navio, os grupos pequenos são os botes salva-vidas presos a ela.
Na comunhão verdadeira, as pessoas encontram autenticidade. A comunhão autêntica não é superficial; um papo-furado repleto de banalidades. É genuína, de coração para coração; às vezes permitindo partilhar coisas íntimas. Ela ocorre quando as pessoas são verdadeiras sobre quem são e sobre o que está acontecendo em sua vida. Elas dividem suas mágoas, revelam seus sentimentos, confessam suas falhas, dão a conhecer suas dúvidas, admitem seus medos, reconhecem suas fraquezas e pedem ajuda e oração. Autenticidade é exatamente o oposto do que você encontra em algumas igrejas. Em vez de uma atmosfera de honestidade e humildade, há uma conversação fingida, representada, politiqueira, superficialmente educada e frívola. As pessoas vestem máscaras, mantêm a guarda levantada e agem como se tudo em sua vida fosse positivo. Essas atitudes são a morte da verdadeira comunhão.
Na verdadeira comunhão, as pessoas encontram reciprocidade. Reciprocidade é a arte de dar e receber. É depender um do outro. A Bíblia diz: A forma em que Deus estruturou os nossos corpos é o modelo para compreendermos as vidas reunidas como igreja: todas as partes são interdependentes. Mutualidade é o coração da comunhão: edificar relacionamentos recíprocos, dividir responsabilidades e ajudar uns aos outros. Paulo disse: Quero que nos ajudemos uns aos outros com a fé que temos. A vossa fé me ajudará, e a minha fé os ajudará. Todos somos mais constantes em nossa fé, quando outras pessoas caminham conosco e nos incentivam. A Bíblia ordena que haja prestação de contas, incentivo recíproco, mútuo atendimento e honra recíproca.6 Por mais de cinqüenta vezes ao longo do Novo Testamento, somos orientados a realizar diferentes tarefas “uns aos outros” e “entre si”. A Bíblia diz: Esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Você não é responsável por todos no corpo de Cristo, mas é responsável para com eles. Deus espera que você faça tudo que puder para ajudá-los.
Na verdadeira comunhão, as pessoas encontram compaixão. Compaixão não é dar um conselho ou oferecer uma ajuda rápida e superficial; compaixão é penetrar e partilhar a dor dos outros. A compaixão diz: “Compreendo o que você está passando, e o que você sente não é estranho ou absurdo”. Hoje em dia algumas pessoas chamam isso de “empatia”, mas a palavra bíblica é “compaixão”. A Bíblia diz: Como povo escolhido de Deus [...] revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. A compaixão alcança duas necessidades fundamentais dos seres humanos: a necessidade de ser compreendido e a necessidade de ter seus sentimentos confirmados. Toda vez que compreende e confirma o sentimento de alguém, você constrói comunhão. O problema é que estamos freqüentemente tão apressados em corrigir as coisas que não temos tempo de sentir compaixão. Ou ainda estamos preocupados com nossas mágoas. A autopiedade esgota completamente a compaixão pelas outras pessoas. O nível mais profundo e intenso é a comunhão de sofrimento, quando entramos na dor e no sofrimento uns dos outros e carregamos os fardos uns dos outros. Os cristãos que melhor compreendem esse nível são os que ao redor do mundo estão sendo perseguidos, depreciados e freqüentemente martirizados por sua fé.
Na comunhão verdadeira, as pessoas encontram misericórdia. A comunhão é uma situação em que opera a graça; em que os erros não são lembrados, mas apagados. A comunhão acontece quando a misericórdia triunfa sobre a justiça. Todos precisamos de misericórdia, porque todos tropeçamos e caímos e precisamos de ajuda para voltar ao caminho. Precisamos oferecer misericórdia uns aos outros e estar dispostos a recebê-la uns dos outros. Deus diz: Quando as pessoas pecarem, vocês devem perdoá-las e confortá-las, para que não sejam vencidas pelo desespero. Você não pode ter comunhão sem que haja perdão. Deus alerta: Jamais guardem rancor, porque amargura e ressentimento sempre destroem a comunhão. Como somos imperfeitos e pecadores, inevitavelmente magoamos uns aos outros quando ficamos juntos por algum tempo. Às vezes magoamos uns aos outros intencionalmente e às vezes sem querer, mas de qualquer forma são necessárias enormes quantidades de graça e misericórdia para criar e manter a comunhão.

Fonte: Uma vida com propósitos
Rick Warren
Publicado no Boletim 596 de 22/Jun/2008