BOLETIM 604

O PODER QUE REVOLUCIONA

Em Atos capítulo 17:1-9 Lucas continua seu relato da segunda viagem missionária. Paulo e Silas deixaram Filipos onde foram alvos de dura oposição chegando a ser açoitados e presos, mas onde puderam ver a manifestação do poder de Deus salvando pessoas, libertando pessoas cativas do diabo, fazendo tremer o chão e abrindo as celas da prisão para livrá-los das mãos dos homens. O verso 1 diz que: “Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica...” Uma vez em Tessalônica, os dois missionários puseram-se a pregar o Evangelho e tiveram como resposta o que está escrito nos versos 4 e 5: “Alguns deles foram persuadidos a Paulo e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos e muitas distintas mulheres. Os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade e, assaltando a casa de Jasom, procuravam trazê-los para o meio do povo”. Paulo já estava acostumado a essa reação, pois sabia que a pregação do Evangelho tanto produzia aceitação como rejeição. Neste caso, a rejeição produziu inveja no coração dos judeus levando-os a alvoroçar a cidade, criando uma confusão no meio do povo e arrastando alguns dos que tinham aceitado a pregação os levaram à presença dos governantes da cidade com a seguinte acusação: “...Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom hospedou. Todos estes procedem contra os decretos de César, afirmando ser Jesus outro rei”. Não foi sem razão que o povo e as autoridades ficaram em grande agitação. Primeiro porque é dito que Paulo e Silas estavam transtornando o mundo. A palavra transtornar significa “revolucionar”. Em seguida, eles são acusados de alta traição contra o imperador porque afirmavam ser Jesus outro rei. Paulo e Silas não dispunham de armas nem comandavam exércitos, tudo o que faziam era evangelizar. Então, por que a pregação do evangelho tem poder de mudar a situação das pessoas, destruir as estruturas do poder, desarticular e confrontar as obras das trevas, envergonhar o diabo e salvar os escolhidos?
1. Porque, por meio das Escrituras, a pregação do evangelho confirma o sacrifício e a ressurreição de Cristo e afirma que ele é Jesus. Os versos 2 e 3 expressam de forma muito clara esta verdade: “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio”. A palavra arrazoar significa argumentar, discorrer. O trabalho de Paulo naqueles três sábados foi contar toda a história do Messias conforme está no Antigo Testamento. Enquanto isso demonstrava o cumprimento das profecias, identificando a história com as Escrituras. Paulo faz isso sem precisar de nenhum argumento ou ajuda de fora das Escrituras e sem produzir uma atmosfera emocional capaz de tirar a lucidez dos seus ouvintes. Quem cresse em sua pregação saberia em que estava crendo. Qualquer revolução que não demonstre ser Jesus o Cristo não passa de ideologia humana.
2. Porque a pregação do evangelho deve ser realizada em poder, no Espírito Santo e plena convicção. Em 1Ts. 1:5 o próprio apóstolo Paulo escreveu dizendo: “porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós.” Aquilo que os judeus de Tessalônica disseram a respeito de Paulo e Silas era de fato verdadeiro, porque a vida das pessoas e das cidades onde eles haviam pregado o evangelho não era mais a mesma; uma revolução de Deus se instalara em suas vidas transformando-as. A pregação do evangelho não precisa ser recheada de pensamentos e filosofias e muito menos de grandes pregadores; ela precisa ser anunciada por todos os crentes simples e sinceros, cheios do Espírito Santo e de plena convicção.
3.Porque a pregação do evangelho transforma seus ouvintes em imitadores de Deus e modelos para os demais crentes. Paulo diz de que maneira os cristãos de Tessalônica receberam a pregação das Boas Novas de Deus e o que essa pregação produziu em suas vidas: “Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo, de sorte que vos tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia.” (1Ts. 1:6,7). Como deve ter sido maravilhoso para Paulo saber que Deus fizera prosperar o seu trabalho como evangelista e que a semente lançada com poder, mas em meio à oposição, sofrimento, prisões, açoites e muita perseguição, germinou e deu muitos frutos.
4. Porque a pregação do evangelho converte inteiramente o homem a Deus. Em 1Ts.1:9,10 Paulo fala do que aconteceu com muitas pessoas em Tessalônica: “pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.” Três aspectos caracterizam a revolução espiritual causada pela pregação do evangelho na vida dos crentes de Tessalônica: Eles deixaram os ídolos, os deuses pagãos; passaram a servir a Deus, a idéia é adorar ao único, vivo e verdadeiro Deus, referindo-se a Jesus; cheios de esperança começaram a aguardar a Vinda de Jesus.
A evangelização ou pregação do evangelho é poder de Deus que revoluciona radicalmente as vidas, dando-lhes razão para viver. Queridos irmãos e irmãs não estamos aqui nesta cidade, e neste estado, por acaso, Deus nos colocou aqui para continuarmos revolucionando as pessoas e a sociedade por meio da evangelização.

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 604 de 17/Ago/2008