BOLETIM 606

OS INJUSTOS NÃO HERDARÃO O REINO DE DEUS

O apóstolo Paulo ensina esta mesma verdade quatro vezes no Novo Testamento, alternando apenas a expressão: Em I Co 5:9-13; os chama de “impuros”, em I Co 6:9-11; a palavra é “injusto”; em Gálatas 5:19-21; ele chama “as obras da carne”. Em Efésios 5:1-13; ele as classifica como “as obras infrutíferas das trevas”. A relação das “obras” dos injustos é imensa, as listas diferem e se completam, mas o fim delas é o mesmo: “Não herdarão o reino de Deus”.
Todas as relações das “obras da carne” vêm com solenes advertências: “Não vos enganeis... Ou não sabeis... Já outrora vos preveni... “Ninguém vos engane com palavras vãs, porque, por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes” com eles (Ef 5:6-7). E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém reprovai-as. (Ef 5:11)
Nas cartas aos Coríntios Paulo está escrevendo para uma igreja que estava numa cidade campeã de idolatria e imoralidade, a cidade era conhecida pela sua devassidão. Ali a imoralidade havia se transformado em religiosidade, com rituais envolvendo sexo com prostitutas cultuais do templo, sexo com animais. Corinto era cidade da Grécia e os gregos influenciaram os romanos com sua imoralidade. Dos 15 imperadores romanos 14 eram homossexuais. A situação dos romanos era tão degradante que Paulo gasta muita tinta para expressar isso na carta aos romanos (Rm 1:18-32) ensinando sobre a ira de Deus contra os seus pecados.
Nós estamos vivendo num país conhecido no mundo pela devassidão do carnaval, turismo sexual, prostituição infantil e pelo alto consumo de bebidas alcoólicas, violência, roubos e também pelo futebol, voley e café.
Os coríntios eram orgulhosos mesmo com graves pecados na igreja (I Co 5:1-2) e reivindicavam liberdade, por isso o apóstolo lhes dá algumas advertências. Alguns crentes brasileiros parecem com os coríntios, eles se parecem muito com os de fora da igreja.
Quais os pecados dos impuros ou injustos
a) Avareza. A palavra grega pleonexia, normalmente traduzida por “ganância”, tem a conotação de “ajuntar cada vez mais, nunca se satisfazendo totalmente com o que já se tem”. Se tivermos de perguntar a qualquer cristão africano ou indiano qual é o pecado mais comum e mais destrutivo da igreja ocidental, a resposta invariavelmente será “ganância”.
b) Idolatria. O próximo exemplo de pecado na comunidade cristã, citado por Paulo, é a idolatria, uma prática que penetra em tudo e dificilmente é reconhecida pelos cristãos ocidentais. René Padilla, da Argentina, escreveu o seguinte: “Hoje em dia, os ídolos que escravizam os homens são os ídolos da sociedade de consumo. Por exemplo, o culto ao aumento da produção através da irreparável destruição da natureza, a fé cega na tecnologia, a ostentação, a moda, os resultados, o sucesso. Esses são os ídolos da sociedade de consumo.” Desde que é esse o caráter da sociedade na qual vivemos, não podemos nos desvencilhar totalmente dela, a não ser que saiamos do mundo.
c) Maledicência. Uma outra ocasião para exercer tal disciplina na igreja, diz Paulo, dá-se quando um cristão se mostra maldizente (em grego, loidoros). Barret traduz isso por “um homem injurioso”, Morris prefere “maldizente...que injuria os outros” e, então, cita as palavras de condenação do próprio Jesus: “...quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
d) Bebedice. O cristão que regularmente incorre no pecado da embriaguez é considerado por Paulo sob a mesma luz. Essas pessoas precisam ser disciplinadas tal como aquelas que persistem na imoralidade sexual, na ganância desenfreada ou no desprezo ofensivo para com as autoridades. Uma atitude de indiferença diante do pecado da embriaguez pode facilmente invadir a comunidade cristã. Tal atitude que sob muitos aspectos reflete uma reação extremada contra a abstinência total, torna-se mais grave à vista do imenso aumento do consumo de bebidas alcoólicas no mundo.
e) Violência. A palavra harpax, traduzida por roubador, tem a explícita conotação de violência. Na primeira lista (v.10) a ganância e o roubo (avarentos, ou roubadores) estão inter-relacionados. Se as pessoas realmente desejam uma coisa, nada pode impedi-las de obtê-la. Atualmente a violência está dominando a sociedade contemporânea: violência nas salas de aula, nos centros das cidades, nas telas da televisão; violência para com as crianças, mesmo no útero, para com os idosos e os doentes terminais; violência nos campos esportivos e nas estradas.
f) Adúlteros. Os que são infiéis aos seus cônjuges. Para melhor compreensão ler Mateus 5:27-32; 19:3-12; Hb 13:4.
g) Efeminados. São os homossexuais, tanto os pederastas como as lésbicas.
h) Sodomitas. São os que se relacionam com diferentes parceiros, seja do mesmo sexo ou do sexo oposto.
E o que dizer dos que são solteiros e praticam sexo antes do casamento? Paulo os chama de impuros. A palavra no grego é prostituição (porneia). E são advertidos: “fugi da impureza” (I Co 6:18-20).
Mesmo vivendo numa cidade promíscua, os coríntios queriam mais liberdade na igreja, por isso Paulo lhes dá alguns princípios para nortear seu caminhar com Cristo neste mundo:
1 - Ao praticar algo isso pode me escravizar? (I Co 6:12)
2 - A minha liberdade pode escandalizar os mais fracos? (I Co 8:9-13).
3 - Isso pode me prejudicar? Edifica a minha vida ou a de outros? (I Co 10:23).
4 - Posso fazer isso para a glória de Deus? (I Co 10:31)
5 - Isso pode ser causa de tropeço para outros? (I Co 10:32-33)
Precisamos diante de todas as questões éticas, utilizar estes princípios para respondê-las, como: Pode o crente ir para uma festa mundana? Pode beber bebidas alcoólicas? Ir para a festa do boi? Para o carnaval? Para uma discoteca? Para uma discoteca gospel?
Que o Senhor nos ajude a sermos livres das artimanhas dos libertinos.

Pr. José João Mesquita
Publicado no Boletim 606 de 31/Ago/2008