BOLETIM 611

Relacionando-nos com os fracos: aceitar sem desprezar, julgar ou defender

Os dois capítulos anteriores de Romanos enfatizaram a supremacia do amor, seja amando nossos inimigos (12:9, 14:17), ou amando o nosso próximo (13:8). Agora Paulo traz um exemplo mais demorado e detalhado do que significa na prática “agir por amor” (14:15); ou, no sentido literal, “andar segundo o amor”, ARA). Trata-se da relação entre dois grupos da comunidade cristã de Roma, denominados aqui de “os fracos” e “os fortes”:
“Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos” (15:1).
Mas quem eram os fracos e os fortes de Roma? Existem quatro propostas principais concernentes à identidade dos fracos; os fortes, consequentemente, seriam identificados pelo contraste.
A primeira possibilidade é que os fracos seja ex-idólatras, recém-convertidos do paganismo.
A segunda sugestão é esse fracos sejam ascetas. Na verdade, “a ampla divulgação do ascetismo religioso na antiguidade é... Bem documentada”, e idéias e práticas ascetas bem poderiam ter-se infiltrado na igreja de Roma. Havia movimentos ascetas tanto no paganismo (por exemplo, os pitagoristas) como no judaísmo (como os essênios).
A terceira possibilidade, sustentada por C.K. Barret, é que os fracos seriam os legalistas. A expressão “fraco na fé”, segundo ele, “atesta a falha ou incapacidade de compreender o princípio fundamental.
A quarta proposta aliás, a mais satisfatória é que os fracos seriam, em sua maioria, cristãos judeus, cuja “fraqueza” consistiria no fato de permanecerem, de sã consciência, comprometidos com as regras judaicas concernentes à dieta e a dias religiosos.
A atitude conciliatória de Paulo com relação aos fracos (não permitindo que os fortes os desprezassem, intimidassem, condenassem ou prejudicassem) manifesta-se também no fato de ter respeitado o decreto do Concílio de Jerusalém que fora designado justamente para controlar os fortes e salvaguardar a consciência dos fracos.
1. O PRINCÍPIO POSITIVO.
Aceitem o que é fraco na fé sem discutir opiniões (assuntos controvertidos).
2. AS CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS (14:2; 15:13)
a) Não despreze nem condene o fraco.
Aceite-o porque Deus o aceitou (v.2-3). Aos fortes é proibido “desprezar” os fracos, e ao fraco “condenar” o forte (v.3). Aceite-o porque Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor (v.4-9). Aceite-o porque ele é seu irmão (v.10 a). Aceite-o porque todos nós iremos comparecer diante do tribunal de Deus (v.10b-13a).
b) Não ofenda nem destrua o fraco (14:13b-23).
Aceite-o porque ele é seu irmão por quem Cristo morreu (v.14-16). Aceite-o porque o reino de Deus é mais importante do que comida (17-12).
Os versos 19-21 repetem, reforçam e aplicam o mesmo ensino, com respeito à proporção ou ao equilíbrio. Eles contêm três exortações:
1) Por isso esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua.
2) Não destrua a obra de Deus por causa de comida (v.20a). “A obra de Deus” poderia ser uma alusão ao irmão mais fraco como indivíduo, mas no contexto parece referir-se à comunidade cristã. 3) Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem (v.20b), sendo assim é melhor não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outro coisa que leve seu irmão a cair (v.21).
c) Não agradem a si mesmos (Rm 15:1-13).
Os fortes devem suportar as fraquezas dos fracos. Os fortes não devem agradar a si mesmo (v.1a). Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para edificação dele (v.2). Porque Cristo não agradou a si mesmo (v.3-4); Porque Cristo os aceitou (v.7). Porque Cristo se tornou servo (v.8-13).
Somos senhores de todos pela fé. Escravos de todos pelo amor”. (Martinho Lutero)
1) Liberdade limitada pelo amor - Rm 14:15.
2) Liberdade limitada pela consciência alheia - I Co 8:9-13; 10:27-29.
3) Liberdade limitada pelas limitações estabelecidas pelos pais - Ef 6:1-3; Rm 13:1-2; e outras autoridades.
4) Liberdade limitada pelas regras da comunidade.
5) Liberdade limitada pela imaturidade - Rm 14:23.
“Desobedecer é insubmissão, criticar é murmurar”.
6) Liberdade excessiva dá em licenciosidade - Gl 5:13-14; I Pe 2:16; I Co 8:9.
Aqueles que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens”. Rm 14:18
“No essencial, unidade. No periférico, caridade. Em tudo o amor”. (John Wesley)
Que o Senhor nos ajude a viver em paz, mesmo tendo opiniões diferentes.

Pr. José João Mesquita
Publicado no Boletim 611 de 05/Out/2008