O corpo de Cristo é o lugar por excelência onde deve ser vivenciada, isto é, experimentada na prática, a comunhão. Quando nos propomos a meditar sobre a verdadeira comunhão, devemos ter em mente que isto não pode nos levar a pensar que no corpo de Cristo haja lugar para uma falsa comunhão. Ao menor sinal de que este estilo de vida penetre e cause um grande estrago no meio da igreja deve ser imediatamente combatido com a mesma firmeza com que tratamos as práticas da idolatria, feitiçaria, vida sexual desregrada, fofoca, adultério, mentira, avareza, bem como toda infidelidade a Deus e desobediência à sua Palavra. Todos nós fomos chamados por Deus para a comunhão com o Pai, com o seu Filho Jesus Cristo e uns com os outros, por tanto, na igreja, só há lugar para a VERDADEIRA COMUNHÃO. O que passar disto é estranho e prejudicial à comunidade dos filhos de Deus.
A Igreja Primitiva, presente no primeiro século do cristianismo, pode nos ajudar a compreender como é possível que um grupo de pessoas seja capaz de viver tendo tudo em comum. Lendo Atos 2:41-44 alguns aspectos nos chamam a atenção:
a) A possibilidade de haver comunhão em um número tão grande de pessoas. Lucas escreveu o seguinte: “Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (Atos 2:41). Esse fato contraria a lógica de que a igreja não deve crescer para não perder a comunhão.
b) O novo estilo de vida que aquele grande grupo de pessoas estava experimentando demonstrava firmeza de propósito. Encontramos isso no seguinte relato de Lucas: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42). Aquele não era um ajuntamento passageiro, momentâneo, fogo de palha que rapidamente se apaga no coração daqueles que vivem ávidos por novidades. O destaque é a perseverança desse grande grupo de pessoas em quatro áreas importantes da vida cristã: A doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações. Este era o propósito de Deus para eles: PERMANECER.
c) A fé em Jesus Cristo os aproximou para uma vida em comunidade. As palavras de Lucas soam como um sonho: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum” (Atos 2:44). É fato que a igreja se espalhou em pequenos grupos enchendo Jerusalém e é nesses grupos, a igreja que estava na casa dos crentes, que ela vive com toda intensidade a verdadeira comunhão.
Mas, por que é tão importante a verdadeira comunhão? Em Uma Vida com Propósitos, Rick Warren nos dá algumas razões, das quais mencionaremos aqui apenas duas:
1) “Na comunhão verdadeira, as pessoas encontram autenticidade. A comunhão autêntica não é superficial; um papo-furado repleto de banalidades. É genuína de coração para coração; às vezes permitindo partilhar coisas íntimas (Tiago 5:16). Ela ocorre quando as pessoas são verdadeiras sobre quem são e sobre o que está acontecendo em suas vidas. Elas dividem suas mágoas, revelam seus sentimentos, confessam suas falhas, dão a conhecer suas dúvidas, admitem seus medos, reconhecem suas fraquezas e pedem ajuda e oração. Se em vez de uma atmosfera de honestidade e humildade, há uma conversação fingida, representada, politiqueira, superficialmente educada e frívola; onde as pessoas vestem máscaras, mantêm a guarda levantada e agem como se tudo em suas vidas fosse positivo; isso é o oposto da autenticidade e mata a verdadeira comunhão.”
2) “Na verdadeira comunhão, as pessoas encontram reciprocidade. Reciprocidade é a arte de dar e receber. É depender um do outro. A Bíblia diz de que forma Deus estruturou os nossos corpos para servir de modelo a fim de compreendermos as vidas reunidas como igreja; todas as partes são interdependentes. A reciprocidade ou, mutualidade, é o coração da comunhão; edificar relacionamentos recíprocos, dividir responsabilidades e ajudar uns aos outros. Pulo disse: Quero que nos ajudemos uns aos outros com a fé que temos. A vossa fé me ajudará, e a minha fé vos ajudará. Todos nós somos mais constantes em nossa fé, quando outras pessoas caminham conosco e nos incentivam. A Bíblia ordena que haja prestação de contas, incentivo recíproco, mútuo atendimento e honra recíproca. Por mais de cinqüenta vezes ao longo do Novo Testamento, somos orientados a realizar diferentes tarefas “uns aos outros” e “entre si”. A Bíblia diz: Esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Você não é responsável por todos no corpo de Cristo, mas é responsável para com eles. Deus quer que você faça tudo que puder para ajudá-los.”
Fomos chamados por Deus para vivermos a verdadeira comunhão nesta igreja, não devemos abandonar este chamado de Deus.
Pr. Vanderli Brito Publicado no Boletim 618 de 23/Novt/2008