Todos nós almejamos participar de uma igreja que seja amorosa, que se importe conosco, que nos ajude a crescer na fé, no amor e na esperança. Que o culto seja vivo e relevante, que após o culto tenhamos um tempo gostoso com os irmãos. Isso tudo é possível se tivermos verdadeira comunhão.
Precisamos lembrar que a comunhão para ser verdadeira exige que tenhamos autenticidade, sejamos verdadeiros, honestos, humildes para reconhecer nossos erros, confessar nossas falhas e abrir o coração sobre quem somos.
Quando encobrimos a verdade, fingimos sobre quem somos, e aí se estabelece a superficialidade, colocamos mascáras e escolhemos viver em trevas. Somos chamados para viver na luz (I Jo 1:5-10)
A luz revela os nossos pecados, faz cair as máscaras e cria verdadeira comunhão de uns para com outros, e o sangue de Jesus opera nos purificando de todo pecado (I Jo 1:7).
Se vivermos na verdadeira comunhão, nós vamos cuidar uns dos outros, carregar as cargas uns dos outros, nos alegrar uns com os outros, e aí sim vamos experimentar a vida no corpo de Cristo. O resultado será a edificação da igreja, vamos deixar de ser crianças em Cristo e nos tornarmos discípulos e edificadores do corpo de Cristo, a igreja. A vida de Cristo vai fluir através de nós e vai abençoar muitas pessoas.
Para experimentar esta vida é necessário viver com uma atitude comunitária e declarar morte ao individualismo. Isto só é possível em um grupo pequeno, onde podemos estabelecer relacionamentos confiáveis e praticar os princípios da reciprocidade. A reciprocidade ou mutualidade é o coração da comunhão. Para edificar o corpo de Cristo precisamos ajudar uns aos outros. Infelizmente podemos nos machucar num grupo pequeno, mas isto faz parte da caminhada, pois alguns irmãos ainda são interesseiros, grossos, impuros, maldizentes, desonestos e prejudicam à comunhão dos verdadeiros cristãos. Em Cristo podemos nos revestir das virtudes cristãs. “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.” (Cl 3:12).
A comunhão verdadeira só é possível se estivermos em Cristo. A eleição é uma chamada para a salvação e para o serviço. Deus declara que somos “santos e amados” e nos exorta agora a vivermos a vida no corpo, praticando as virtudes alistadas acima e muitas outras. Se praticarmos essas coisas estaremos contribuindo efetivamente para edificação do corpo de Cristo. Na verdadeira comunhão, encontramos compaixão (misericórdia).
Compaixão não é dar um conselho ou oferecer uma ajuda rápida e superficial; compaixão é penetrar e partilhar a dor dos outros. A compaixão diz: “Compreendo o que você está passando, e o que você sente não é estranho ou absurdo”. Hoje em dia algumas pessoas chamam isso de “empatia”, mas a palavra bíblica é “compaixão”. A Bíblia diz: Como povo escolhido de Deus [...] revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. A compaixão alcança duas necessidades fundamentais dos seres humanos: a necessidade de ser compreendido e a necessidade de ter seus sentimentos confirmados. Toda vez que compreende e confirma o sentimento de alguém, você constrói comunhão. O problema é que estamos freqüentemente tão apressados em corrigir as coisas que não temos tempo de sentir compaixão. Ou ainda estamos preocupados com nossas mágoas. A autopiedade esgota completamente a compaixão pelas outras pessoas. O nível mais profundo e intenso é a comunhão de sofrimento, quando entramos na dor e no sofrimento uns dos outros e carregamos os fardos uns dos outros. Os cristãos que melhor compreendem esse nível são os que ao redor do mundo estão sendo perseguidos, depreciados e freqüentemente martirizados por sua fé. A comunhão acontece quando a misericórdia triunfa sobre a justiça.
Todos precisamos de misericórdia, porque todos tropeçamos e caímos e precisamos de ajuda para voltar ao caminho. Precisamos oferecer misericórdia uns aos outros e estar dispostos a recebê-la uns dos outros. Deus diz: Quando as pessoas pecarem, vocês devem perdoá-las e confortá-las, para que não sejam vencidas pelo desespero. Você não pode ter comunhão sem que haja perdão. Deus alerta: Jamais guardem rancor, porque amargura e ressentimento sempre destroem a comunhão. Como somos imperfeitos e pecadores, inevitavelmente magoamos uns aos outros quando ficamos juntos por algum tempo. Às vezes magoamos uns aos outros intencionalmente e às vezes sem querer, mas de qualquer forma são necessárias enormes quantidades de graça e misericórdia para criar e manter a comunhão.
Se formos magoados, precisamos perdoar e não nos isolarmos.
Que Deus nos ajude!
Pr. José João Mesquita Publicado no Boletim 619 de 30/Nov/2008