BOLETIM 625


VOZ DO DESERTO

Lucas nos da apresenta João Batista como sendo:
I. Construtor do caminho (3.1-6). Os versículos descrevem o trabalho do construtor em preparar as pessoas para a chegada do rei, ele teria que remover montes espirituais, endireitar os caminhos tortos e consertar as estradas esburacadas para a chegada do Senhor. Entre os nomes dos governantes e sacerdotes conhecido da época, Deus usou um João para falar as nações. “Deserto” que assinala a região agreste entre as colinas de Judá, parte mais baixa do Jordão, em uma extensão ondulada de terra cretácea e estéril, mas não era apenas João que estava no deserto e sim todas as pessoas que não tem o Messias, caminhavam e caminham no deserto da vida sem esperança. Como Deus é Maravilhoso, usa João, Marias, Josés, eu e você. E assim como Ele usou João o batista, usará nossas vidas para que no deserto, brote águas purificadoras. A mensagem de arrependimento que João o profeta, sujeito da, e à profecia, tem para as pessoas com o coração seco é: “O Messias está chegando e reinará indubitavelmente” (Is 40.35). Lucas deixa claro que o ministério de João ao batizar aponta para a vinda do Salvador que viria, como o nosso batismo, aponta para o Salvador que veio At 19.45. O batismo já era praticado aos prosélitos que se convertiam ao judaísmo, tido como sendo impuros e que precisava das águas purificadoras, agora João usa o mesmo conceito para judeus, pois ninguém estava limpo para receber o Rei eternamente homem.
II. Agricultor (3.7-9). João se descreve como um especialista em agricultura. Sabe sobre derrubar árvores híbridas, que não produzem frutos e queimá-las para preparar a terra para o plantio de outra cultura. Quando o fogo se alastra no campo vê-se serpentes fugindo. Ele chega à raiz do problema e chama as pessoas ao arrependimento anunciando o Messias prometido que não faz barganha, não faz politacagem, pelo contrário, transforma. Aplanar, arrancar, fogo, pá na eira, faz parte da mensagem escatológica e nos ensina que só existe um jeito de escapar da ira vindoura, que é abandonar os pecados e confiar unicamente no Salvador que aplana a alma e eliminando tudo o que nos estorve no caminho de Cristo e de sua graça. Tal mensagem repercutiu em todo o meio, pessoas de todas as classes ficaram surpresas e os líderes religiosos que não obedeciam ao chamado do Senhor foram chamados de cobras venenosas tentando escapar do fogo, referindo se a velha serpente que tem seus filhos (Ap 12.9). João prega o juízo da graça, convicção depois conversão e nos mostra que os frutos dignos de arrependimento, requer misericórdia, não sacrifício; e nos compromte em fazer o bem e a sermos justos com todos os homens, mediante obra do Santo Espírito. O mesmo princípio que leva os homens a renunciar aos ganhos injustos, os leva a restaurar o lucrado em forma errada. Não havia nada errado em ser cobrador de impostos ou soldado, o problema era que estes que vieram ao batismo não estavam usando estes dons com justiça para Deus.
III. Conselheiro (3.10-14). Ouçamos a voz, ouçamos os conselhos do profeta do deserto. Quem tem ouvido ouça o que o Espírito diz as igrejas. Aos militares (soldados e policiais): não pratiquem extorsão, subornos e ameaças (Lc 3.14), aos fiscais do poder econômico: não “superfaturem” a conta do contribuinte (Lc. 3.12-13), aos líderes religiosos não se orgulhem do que vocês são, porque dessas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão! (Mt. 3.9). Eles entendiam sua filiação de Abraão como uma espécie de mérito, e alerta. Não há mérito nenhum em ser quem vocês são, se a vida de vocês não mostrar transformação íntima e pessoal. Sem arrependimento sua religião, sua profissão é NADA para Deus! João não está reprovando as profissões citadas, mas como eram exercidas, pois não estavam sendo usadas para o serviço da fé que se professavam. Quando nossa profissão é usada para Jesus, produz justiça social e João nos ensina; quem tem duas túnicas não deixa seu semelhante passar frio, quem tem muito não deveria estragar, pelo contrário, deveria ajudar a quem não tem nada, ao ponto de tirar a camisa e aquecer seu semelhante.
Devemos viver na terra o evangelho acima da média das religiões, com conceitos e implicações eternas.

Pr. Alcedir Sentalin
Publicado no Boletim 625 de 11/Jan/2009