BOLETIM 636

CUIDADO! DIREÇÃO PERIGOSA

Conduzir, ou guiar pessoas é um ato que requer competência e responsabilidade. Por esta razão, as leis de trânsito, em nosso País, proíbem dirigir sem habilitação, ou carteira de motorista. Esse ato pode ser classificado como imprudência e imperícia porque põe em perigo a vida de muita gente. Assim, qualquer pessoa, sem habilitação está proibida de conduzir outros em veículos. Como crentes, devemos ser zelosos e não permitir que alguém, mesmo que seja nosso filho, sem habilitação, dirija nossos carros.
Na vida cristã, também corremos o risco de uma direção perigosa, ou desastrosa, que põe em risco nossa vida espiritual. No texto que esta em Lucas 6:39-42, o Senhor Jesus confronta os escribas relacionando-os com o tipo de ensino que eles ministram; e, da mesma forma, os fariseus pela maneira de se apresentarem como modelos de santidade e justiça. Ao mesmo tempo, Ele adverte seus ouvintes, especialmente seus discípulos, sobre o perigo de se deixarem conduzir por eles. Podemos destacar dois aspectos importantes contidos nesse ensino de Jesus:
1. JESUS DESAUTORIZA OS ESCRIBAS A CONDUZIREM ESPIRITUALMENTE A VIDA DAS PESSOAS. No período do Novo Testamento os escribas eram autoridades na lei de Moisés e responsáveis por ensiná-la ao povo. Eram, por isso, chamados de “mestres da lei”. Apesar disso, o Senhor os acusa de não ter habilitação para conduzir as pessoas a toda verdade de Deus, contida na lei. Observe as razões apresentadas por Jesus:
Aqueles que os seguissem cairiam com eles num abismo “Pode, porventura, um cego guiar a outro cego”? A resposta só pode ser NÃO. “Não cairão ambos no barranco”? A resposta só pode ser SIM. Os escribas haviam desprezado e desonrado a luz, por esta razão, eram incapazes de enxergar o abismo. Jesus está dizendo que os escribas, quando ensinavam a lei de Deus, estavam guiando as pessoas, direto para um buraco, em vez de livrá-las dele. É claro que o problema estava neles e não na lei, pois esta é santa, justa e boa.
Aqueles que os seguissem se tornariam como eles “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre”. Os escribas eram os mestres e tinham a responsabilidade de instruir o povo. Conheciam cada vírgula de toda a lei, todavia, não conseguiam ver, em Jesus, o cumprimento da lei e das promessas de Deus. Por seu muito conhecimento dificultavam, com suas longas interpretações e enfadonhas preleções, que os mais simples entendessem tudo que Deus havia dito. E por causa da dureza de seus corações deixavam de apresentar a beleza de uma fé genuína, simples e alicerçada nas palavras de Jesus, que produzia consolo, esperança, correção e uma vida de alegria e gratidão a Deus.
2. JESUS DESAUTORIZA OS FARISEUS A SERVIREM DE EXEMPLO PARA OUTRAS PESSOAS. O termo fariseu significa separado e era dado a um grupo de judeus formado por pessoas do povo. No princípio, tinham a intenção de purificar e defender a fé, mas com o passar do tempo, tornaram-se fanáticos, legalistas e se dedicaram a defender os ritos como se a repetição deles fosse demonstração do mais alto grau de espiritualidade e relacionamento com o Senhor. Isso só serviu para perderem a presença e a aprovação de Deus. Jesus os chamou de hipócritas, isto é, alguém que finge ou representa ser o que na realidade não é. O Senhor Jesus os reprova, como exemplos, por duas razões:
Eles não se cansavam, noite e dia, a procura de pequenas manchas nos outros a fim de justificarem o lamaçal que se esconde em suas vidas. “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio”? A acusação de Jesus é que eles são capazes de ver um cisco no olho de alguém, mas não conseguem ver a trave, ou viga, que está no próprio olho. É um verdadeiro oftalmologista cego tentando fazer uma cirurgia no olho de alguém. Enquanto chamam a atenção para os outros desviam a atenção de si mesmos. Essa autojustificação aponta para o fato de que eles confiavam apenas em si e nos seus, supostos, atos de bondade e não entendiam nada da graça de Deus.
Eles fingiam estar interessados em corrigir os outros, mas não faziam o menor esforço para corrigirem os próprios desvios. “Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu”? Por isso eles são chamados de hipócritas. Uma pessoa pode ser boa aos seus olhos, mas se não for humilde para reconhecer sua própria miséria, jamais se verá necessitada de Deus, do seu amor e da sua graça.
Os discípulos são advertidos a não se deixarem ser conduzidos pelos escribas, nem seguirem o exemplo dos fariseus. Precisamos saber que essa advertência de Jesus tem alcance sobre nós. Os escribas e fariseus continuam infiltrados e despejando seu ensino, como fermento, no meio da igreja. O desejo deles é ser o guia espiritual dos crentes; segui-los é caminhar para o abismo ou para uma vida de aparência. Cuidado! Essa é uma direção perigosa. Jesus Cristo sim, é, por excelência, nosso mestre e modelo; segui-lo e imitá-lo, pra sempre, será a maior de todas as realizações de nossa vida cristã.

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 636 de 29/Mar/2008

 
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