BOLETIM 642

A CRISE NECESSÁRIA

Este é, com justiça, um dia muito especial, pois é dedicado às mães. Sendo assim, deveria ser um dia para se falar somente de coisas boas e agradáveis, mas é importante aproveitá-lo para perguntar: Vai tudo bem com seu casamento, sua família, sua casa? Antes de responder, vale a pena lembrar que a aparente calmaria nem sempre é sinônimo de segurança e tranqüilidade. No mar uma calmaria pode ser um aviso de grande tempestade.
Quando lemos, na Bíblia, o relato sobre a vida de Jó, somos grandemente impactados por todos os acontecimentos que ali são descritos. A história desse homem começa com uma apresentação do seu caráter: “Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal”. (Jó 1:1). À primeira vista pode parecer, apenas, a visão do escritor do livro; mas, em 1:8 e 2:3 é o próprio Deus que se refere a Jó com estas palavras. Então, podemos compreender que Jó era um crente cujo caráter agradava a Deus e, certamente aos homens.
Tudo na vida, na família e na casa de Jó estava na mais perfeita paz, levando-se em conta que:
a) Jó tinha uma família completa: tinha esposa e filho! “Nasceram-lhe sete filhos e três filhas” (Jó 1:2).
b) Jó tinha uma família economicamente segura: não faltava nada! “Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu ser viço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente” (Jó 1:3).
c) Jó tinha uma família espiritualmente sadia: não faltava sacerdote! “Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente” (Jó 1:4,5).
Mas, quando tudo parecia em paz e sob controle, instalou-se sobre esta família uma profunda crise, como uma tempestade avassaladora. De 1:13 a 37:24 se descreve o estrago que essa crise causou: Jó perdeu os bens, os filhos, a saúde, a compaixão da esposa e a compreensão dos amigos.
De que maneira nós reagiríamos se algo parecido com isso nos acontecesse? Perceba as reações de Jó:
- Jó não blasfema contra Deus (1:20-22)
- Jó não se alimenta com o veneno da amargura (16:1-22)
- Jó não usa a crise para se justificar (9:1-4)
- Jó é convencido por meio de uma experiência com Deus (38-40)
Olhando para a vida de Jó podemos considerar o seguinte: A crise que pode se instalar sobre a família nem sempre é resultado de relaxamento espiritual (1:4,5). Ainda que a crise seja resultado de uma trama maligna, ela só acontece com a determinação de Deus (1:6-12 e 2:1-8). Mesmo que a crise pareça injusta, ela sempre revela a salvação de Deus (19:25-27). Por mais que pareça não ter propósito, a crise sempre revela o que se esconde no coração (1:20-22 e 2:9-10).
Como compreender que o crente e sua família podem vivenciar um tempo de crise? Como entender que em determinados momentos a crise é necessária? O salmista diz: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição porque aprendi os teus decretos”. Toda essa experiência sofrida por Jó nos ensina que: A crise necessária manifesta a soberania de Deus (26:1-14); atesta quanto conhecemos a Deus (38 a 39); revela o poder de Deus (40 a 41); revela a bondade de Deus: ele restaura a confiança de Jó, sua dignidade, bens e filhos porque ele é bom (42:7-17).
Marido, esposa, pais e filhos se sua família está sendo provada se humilhe, busque a Deus e aprenda o que o Senhor está lhe ensinando. Certamente ele há de derramar sobre você o seu consolo. Deus te abençoe e feliz dia das mães.

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 642 de 10/Mai/2009

 

 

 
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