BOLETIM 643

EU E A MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

Após a conquista da terra, era hora de cada tribo israelita tomar posse de sua área, Josué reúne a liderança maior da nação (Js 24:1) e lhes faz um relato resumido da história de Israel, desde o pai Abraão, o tempo no Egito, a conquista de Canaã, mostrando a ação de Deus nas batalhas do povo e então ele despede o povo e lhes dá uma solene exortação. (Js 24:14-28; Jz 2:6).
Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com integridade e com fidelidade...”
Após recordar os grandes feitos de Deus, ele os encoraja a temê-lo e servi-lo. Ninguém pode seguir o caminho de Deus sem o temor do Senhor que significa um profundo respeito a Deus e sua Palavra, uma santa reverência, para com Ele, porque Deus é santo e tremendo, como diz o autor de Hebreus, Deus é fogo consumidor (Hb 12:29). Deus havia mostrado o seu poder em libertar e livrar Israel, mas também mostrou o seu poder em julgar toda uma geração que não creu que Ele poderia dar-lhes a terra prometida e deixou-a morrer aos poucos no deserto por 40 anos. A geração que conquistou a terra era dos filhos dos que morreram no deserto, os quais acusaram a Deus de tirar-lhes do Egito para matá-los no deserto (Ex 17:3-5; Nm 14:1-3) e por pouco não apedrejaram a Moisés (Ex 17:4a), e a Josué e Calebe (Nm 14:6-10).
Josué nos ensina algumas lições (Js 24:14-20)
1 - Se você quer servir a Deus, faça-o com temor, integridade e fidelidade. O sentido de integridade é inteiro, completo, íntegro. No Novo Testamento Jesus ensina que é com todo o coração, toda a alma, todas as forças e com todo entendimento.
Com fidelidade. O sentido é, com firmeza, com verdade, estabilidade e constância. Fidelidade à vontade revelada de Deus em sua Palavra.
2 - Para servir a Deus você precisa fazer uma decisão (de-cisão). Se você quer servir a Deus, precisa jogar fora os ídolos e o estilo de vida anterior “deitai fora os deuses”... (v.14). Jesus disse que “ninguém pode servir a dois senhores”. “Porém se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais... ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais”. (v.15). É necessário uma de-cisão. É preciso cortar algumas coisas, é necessário uma “cisão” com o pecado, o mundo (os costumes pecaminosos) e toda forma de adoração inventada pelo homem.
Como o apóstolo Paulo escreveu aos tessalonicenses: “pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura”. (I Ts 1:9-10).
3 - Servir a Deus envolve a minha descendência.Eu e minha casa serviremos ao Senhor”.
Ao tomarmos uma posição ao lado do Senhor, necessariamente, isto envolve o meu lar (mulher, filhos e agregados).
O marido é o cabeça do lar, ele é a maior autoridade sobre os filhos, ele é o sacerdote da casa. Nos lares em que não existe a figura do marido, a mulher assume naturalmente as responsabilidades e a autoridade sobre os filhos, e através dela vem as bênçãos sobre os filhos.
A promessa de Deus sobre a salvação da família foi dada a um pai. “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua casa” (At 16:31), mas também isto se cumpriu na casa de Lídia. Ela creu no Senhor e foi salva, ela e toda a sua casa. (At 16:14-15).
A família está exposta hoje ao maior ataque de todos os tempos, porque mil forças e mil vozes trabalham contra ela. A crise de autoridade é tão grande que a revista Veja publicou matéria de capa em 18.02.2004 com o título “A tirania do Adolescente” e em 18.02.2009 “Eles é que mandam”. Nestas matérias os articulistas revelam que os pais estão perdidos na educação dos filhos.
O problema hoje é que o homem pós-moderno, não tem a ideia de uma fidelidade espiritual, uma exclusividade, mas uma síntese religiosa, um pouco de Deus, um pouco de crendice popular, um pouco de mundanismo.
O profeta Elias confrontou o povo de Israel dizendo: “Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu”. (I Re 18:21). O problema é que o povo tinha se distanciado tanto de Deus que eles não sabiam quem era o verdadeiro Deus, pois Baal também era chamado de “Dono”, “Senhor”, “Marido”. Era o grande deus da fertilidade e da produção agrícola. “Porém o povo nada lhe respondeu”. Não responderam porque estavam confusos. Como hoje, quem é o caminho para Deus? É Jesus? Buda? Maomé? Foi necessário Elias fazer um desafio público: Quem for o verdadeiro Deus vai enviar fogo no sacrifício.
4 - Precisamos preparar as próximas gerações. Os anciãos e o povo serviram a Deus em todo o tempo que Josué era vivo. Morreu Josué e povo continuou nos caminhos de Deus, mas após a morte daqueles líderes, o povo levantou-se “outra geração que não conhecia o Senhor, nem tampouco as obras que Ele fizera a Israel, então fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; pois serviram aos baalins, deixaram o Deus de seus pais...(Jz 2:10-12). Quem falhou? Certamente Josué precisava investir nos jovens como Moisés investiu nele. Os anciãos precisavam investir nos jovens. Na verdade Israel abandonou o ensino das crianças, dos adolescentes, dos jovens, porque a terceira geração “não conhecia o Senhor, nem as obras que fizera”. Os pais não ensinaram seus filhos devidamente e perdeu-se aquela geração. O livro de Juízes é o relato de sete períodos de idolatria, escravidão, arrependimento, livramento e de novo tudo se repete.
O Senhor nos chama a fazer um compromisso com Ele desde a nossa juventude e mesmo antes de casar podemos dizer pela fé: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Aleluia!

Pr. José João Mesquita
Publicado no Boletim 643 de 17/Mai/2009

 

 

 
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