Nascer, chorar, comer, sujar, ser limpo, dormir. Essa era a nossa vida como bebês. Dependendo do nosso “poder” e da fraqueza ou força de nossos pais, dominamos ou fomos dominados. Aprendemos a falar para dizer: eu quero. Estudamos e crescemos para exercitar de forma melhor ou pior nosso “direito de escolha”. Saímos para o mundo e descobrimos que não era bem assim, mas insistimos em nossos direitos. Quando você vem para Deus você descobre que está tudo errado, tem que refazer toda a sua maneira de pensar, escolher, planejar e viver: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente”. Tt 2:11-12. Renegar, renunciar costumes e práticas tão amados, faz parte do processo de educação, para aprendermos a viver de modo sensato justo e piedoso. Você passou sua vida toda aprendendo aquele tipo de vida, quando conhece Jesus é chamado para renunciar aquela vida para reaprender a viver.
Hoje você recebe de novo um chamado especial de Deus para uma entrega completa: Apresente seu corpo como sacrifício, ou seja, entregue-se, consagre-se inteiramente a Deus. (Rm 12:1) No Antigo Testamento todo o culto era movido por ofertas de animais, colheitas e também valores. As ofertas de animais eram chamadas de sacrifícios. Hoje você é chamado a sacrificar (no sentido de ofertar) seu corpo, e entregá-lo como oferta para Deus, mas como um sacrifício vivo. Isto é, você se torna a oferta. É muito tranqüilo tirar valores do bolso ou do banco e dar, mas Deus quer sua vida inteira, pois quando você dá seu corpo, dá tudo. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, não “é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais”. (At 17:24-25) Resumindo: antes de você nascer, Deus vivia muito bem e quando morrer, Deus vai continuar vivendo bem. Mas nós não temos condições de viver bem sem ele. Por isso hoje você recebe o chamado de se entregar inteiramente a ele. Este é o nosso culto racional. Calvino diz que se não nos consagrarmos totalmente como o texto fala, seremos “falsos adoradores”.
Hoje você recebe também um chamado para não mais se conformar com o estado de coisas em que está nosso mundo, mercado de trabalho, relacionamentos, família, até mesmo a igreja. Sempre tendemos a acomodação. Assumirmos a forma, padrões e costumes da nossa época. Você passou a vida assumindo uma forma, mas agora é chamado a não mais se conformar. Renunciar, renegar, arrepender, abandonar, recusar, deixar. Para renovar, reformar, é preciso derrubar o velho. E é isso que Deus quer. Mas é muito mais fácil implodir um prédio do que mudar conceitos e práticas arraigadas em nosso interior durante toda uma vida e algumas vezes em práticas familiares que nos acompanham por gerações. Entretanto, Deus quer isso.
Hoje ainda você recebe um chamado para transformar-se pela renovação da sua mente. Hoje ainda você recebe um chamado para experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Pense agora. Transformar para experimentar. Eu gosto de novas e boas experiências, mas nenhuma é melhor do que a vontade de Deus. Você quer experimentar? Transforme-se. Só que essa não é uma transformação como uma cirurgia plástica ou uma cirurgia cardíaca. Você dorme anestesiado e acorda já transformado, precisando apenas de um período de recuperação. Não! Essa transformação virá pela renovação da mente. A mente que se deixou amoldar durante os anos da nossa vida, agora deve receber novas informações que mudem nossa forma de pensar e de agir: “O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos, o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável no pensamento e ação”. (Orison Swett Marden) Com a palavra de Deus em nossa mente, aprenderemos a formar cordas de hábitos bons para nós e para os que nos cercam. “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer”. Oséias 11:4
Pr. João Chrysostomo Junior
Publicado no Boletim 647 de14/Jun/2009