BOLETIM 648

AS BEM-AVENTURANÇAS

Em sua essência o Sermão do Monte constitui o retrato do Mestre Jesus, não são regras de um código legalista, mas alinhamento de um caráter. Por em prática seus ensinamentos, teve como resultado o caráter permanentemente equilibrado de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele viveu o que pregou. Ele comprova que a obediência de seus ensinamentos produziu uma personalidade tão forte e atrativa como a sua, que nos anima a esperar que nossa obediência produza uma transformação radical em nossas vidas.
Nesta semana nos dedicaremos a meditar nas três primeiras bem-aventuranças, e ao findar da terceira semana teremos visto e sido edificados em cada uma delas.
“Vendo a multidão, subiu ao monte, e sentando-se vieram seus discípulos. E ele começou a ensinar-lhes dizendo...” (V.1).
As grandes multidões que rodeavam Jesus compunha o pano de fundo de sua audiência. Em um círculo mais próximo estava um pequeno grupo de seus discípulos recentemente escolhido, o círculo mais íntimo por meio do qual se propunha transmitir seu evangelho ao mundo inteiro.
O relato nos mostra que Jesus deu a mensagem aos discípulos que estavam próximo dele, mas a multidão que estava por trás deles, escutava. O Bispo O'Gere declarou sabiamente: “O sermão do monte foi falado e ouvido pela Igreja, mas todo o mundo ainda precisa ouvir!
Parece razoável concluir que o Sermão do monte não foi dado para incrédulos, sim para os crentes, não foi dado para uma nação e sim para indivíduos, não só para os crentes de uma só geração, mas para todo discípulo de hoje em dia.
A primeira palavra que nos chama atenção é: “bem- aventurados”, que quer dizer felizes, ou alegres, mostrando o alvo do reino dos céus, o de chamar-nos a deixar uma vida de amargura e pecado, para uma vida verdadeiramente feliz. Não uma vida de alegria superficial mas de gozo profundo e que perdura. Como disse Jesus: Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (João 10:10)
1 - Bem-aventurados os humildes (v.3) Em algumas versões aparece: os pobres de espírito. Isto não quer dizer que felizes são os desprovidos de bens ou sem recursos financeiros. Felizes são aqueles que reconhecem que estão falidos espiritualmente, sem recursos espirituais. Todos os homens que são pobres de espírito não são humildes por si mesmo, mas poucos reconhecem. A melhor palavra para expressar a idéia é mendigo. O humilde de espírito está profundamente convicto da sua própria pecaminosidade diante de Deus. São aqueles que não são sábios aos seus próprios olhos.
No alfabeto do cristianismo a humildade é a primeira letra. Paulo demonstrou isso quando confessou: “Porque eu sei que em mim, isto é na minha carne, não habita bem nenhum... ( Romanos 7:18)
2 - Bem-aventurados os que choram...(v.4). As bem-aventuranças podem ser comparadas como paradoxos do presente século ou na contramão do nosso cotidiano. Aqui podemos resumir assim: Felizes os infelizes.
Mas que tristeza é essa que pode produzir a alegria da bênção de Cristo naqueles que a sentem? Em primeiro lugar, não são aqueles que choram pela perda de uma pessoa querida, ou por ter sofrido uma injustiça, ou uma grande perda de um bem, ou pelo castigo do pecado cometido. Cristo não se refere a tristeza do luto, mas à tristeza do arrependimento.
Jesus não é só alegria e risos. Há daqueles que imaginam que estar cheios do Espírito, é estar exibindo um largo sorriso, mostrando os dentes e vivendo uma vida borbulhante.
Jesus chorou pelos pecados dos outros, pelas amargas conseqüências que trariam no juízo e na morte, e pela cidade impenitente que não o receberia. Nós também deveríamos chorar pelas maldades que tem acontecido no mundo, pelo avanço da injustiça.
Devemos experimentar mais a essência do texto de 2 Coríntios 7:10 na caminhada cristã: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação ”
3 - Bem-aventurados os mansos...(v.4) Ele tinha em mente aqueles cujo espírito é paciente e satisfeito, o que exerce auto controle, ou ainda: é gentil, humilde,atencioso,cortês.
Dr. M. Lloyd-Jones resume assim: “A mansidão é a essência, a verdadeira visão que temos de nós mesmos, e que se expressa na atitude e na conduta para com os outros...
Essas pessoas mansas, Jesus acrescentou: “herdarão a terra”. Era de se esperar ao contrário. Achamos que as pessoas mansas nada conseguem porque são ignoradas por todos, tratadas com descortesia e desprezo. São os valentes, os arrogantes, que vencem a luta da existência. Mas a condição pela qual tomamos posse de nossa herança espiritual em Cristo não é a força, mas a mansidão, pois tudo é nosso se somos de Cristo.
Era esta confiança dos homens de Deus do passado (A. Testamento),quando os perversos pareciam triunfar. A longo prazo eles nunca são os perdedores. Chegará o dia quando eles “reinarão sobre a terra”. (Ap.5:10)
Deus o abençoe e encare a sério as bem-aventuranças.

Pr. Djard Cadais de Moraes
revdjard@uol.com.br

Publicado no Boletim 648 de 21/Jun/2009

 

 

 
DY>