BOLETIM 649

UMA FELICIDADE POUCO ATRAENTE

O estilo de vida dos nossos dias tem levado as pessoas a uma mentalidade tão doentia que nos faz sentir preocupação, insatisfação e ansiedade mesmo estando cercados por coisas, bens e pessoas. Possivelmente todos nós já nos sentimos assim, sem que para isso houvesse uma causa justificável. Para sair dessa “fossa” insuportável os conselhos são variados: Troque a casa, troque os móveis, compre roupas novas, sapatos, carro, faça exercício, meditação transcendental, vá a uma igreja, procure uma religião ou um terapeuta. Muita gente tem corrido pra tudo isso na esperança de ser aliviado, mas o vazio permanece insistentemente lá, consumindo a alma de cada um.
No capítulo 5 de Mateus versos 1 a 12 encontramos a narrativa do Sermão do Monte no qual Jesus apresenta os princípios éticos do Reino de Deus. O sermão inteiro foi proferido no alto de um monte e duas frases são muito significativas para a compreensão do ensino de Jesus; são elas: “Vendo Jesus as multidões,... e ele passou a ensiná-los, dizendo:” Jesus ensina os discípulos, de olho nas multidões.
De olho na multidão Jesus percebe o que podia passar imperceptível. Ele percebe que a verdadeira felicidade não está presente em suas vidas porque o modelo que eles tinham de felicidade era um modelo humano. Então, nosso Senhor passa a ensinar aos discípulos um modelo de felicidade completamente diferente do modelo humano.
No modelo de Jesus a felicidade tem as seguintes características: Já agora e não no futuro; é constante e não circunstancial; está dentro e não fora das pessoas. Mas, nesse modelo, segundo Jesus, a felicidade não é atraente, pois, como já vimos nas três primeiras bem-aventuranças, ela aponta para a necessidade de um espírito humilde; para uma ação que demonstra incapacidade e para uma atitude que aparenta fraqueza.
De olho na multidão Jesus prossegue, nos versos 6 a 8, ensinando aos seus discípulos sobre essa felicidade pouco atraente. E por que não atrai?
1. Porque indica uma necessidade indispensável à vida. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos”. O Mestre, com sabedoria, usa os exemplos da fome e da sede para demonstrar a importância da justiça na vida das pessoas. Se a fome e a sede não são supridas o corpo enfraquece e morre; assim também, se a alma não for alimentada pela justiça ela nunca terá vida. Mas de que justiça Jesus está falando? A Bíblia se refere a dois tipos de justiça: o primeiro é a justiça manifestada em Cristo “Ele é a nossa justiça”. Essa justiça Deus nos dá quando cremos em seu Filho Jesus “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (Rm. 4:3). O segundo tipo é a justiça implantada pelo Espírito Santo no coração dos crentes, por meio da qual, sempre buscamos a bendita presença de Deus. Por isso temos necessidade de ler e meditar na Palavra de Deus, da oração, do testemunho, de acudir ao necessitado e da comunhão com o corpo de Cristo. Jesus diz que a recompensa para aqueles que têm fome e sede por esses tipos de justiça é que eles serão fartos, isto é, Deus suprirá essas necessidades.
2. Porque valoriza o dar e não o receber. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. Jesus diz que a verdadeira felicidade é viver com os valores corretos. Seguir algum daqueles conselhos lá do início pode causar algum alívio, mas não resolverá o vazio da alma. No ensino de Jesus a felicidade se caracteriza pelo dar e não pelo ter. Misericórdia pode ser definida por duas atitudes: a primeira é a qualidade divina de sentir uma compaixão tão intensa que nos leva socorrer os necessitados aliviando seu sofrimento; o bom samaritano (Lc. 10:25-37) nos ajuda a entender isso. A segunda, também é uma qualidade divina, esta de oferecer perdão àqueles que praticam o mal contra nós. A misericórdia aponta diretamente para Deus e nós, pois estávamos necessitados e Ele estendeu a mão e nos socorreu; éramos inimigos e não merecíamos o perdão, mas Ele nos perdoou dando o Seu Filho para morrer em nosso lugar. Jesus diz que aqueles que agem com misericórdia receberão de Deus misericórdia. Isso nada tem a ver com a salvação pelas obras; os salvos devem agir assim.
3. Porque exige uma limpeza interior. “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. O coração referido aqui é o lugar onde se processam o pensamento, o desejo, a vontade, os planos. É o lugar do qual Deus diz através do profeta Jeremias que é enganoso e desesperadamente corrupto. Esse coração que é fonte de toda a maldade praticada por nós, pode tornar-se lugar de honra e da presença de Deus. Para isso é necessário limpá-lo. A limpeza do coração é realizada por meio do arrependimento, da obediência e da eliminação de tudo aquilo que é contra Deus por meio da leitura e meditação da sua Palavra. A grande recompensa para aqueles que têm o coração limpo é que eles verão a Deus.
Queridos, a felicidade ensinada por Jesus é pouco atraente para os ímpios, mas para os filhos de Deus é a garantia de permanecer neste mundo sem enlouquecer com as suas loucuras. Glória a Deus que por meio de Cristo nos deu completa e permanente felicidade.

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 649 de 28/Jun/2009

 

 
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