Não há nada melhor do que uma boa notícia, um anúncio que provoca alívio na alma e um sorriso nos lábios. Em minha opinião, esta é uma das maiores necessidades dos nossos dias: boas notícias. Há tempos noto que assistir telejornais, ler jornais, apenas acumulam desgraça sobre desgraça. O mundo ficou mais complexo, as relações humanas mais complicadas. Muitos esperam uma oferta de emprego, outros o resultado negativo de exames, outros ver seu nome na lista de aprovados. Há aqueles que esperam a notícia de que o filho retornou a casa, ou que o vizinho mudou pra outro país distante… o certo é que sempre estamos a espera de boas notícias.
No capítulo dez do Evangelho de Lucas, nos versículos de 1 a 12, encontramos um grupo de setenta afortunados que tiveram o privilégio de visitar famílias de uma certa região, com a missão de levar-lhes boas novas, notícias fresquinhas e alentadoras que afetariam suas vidas para sempre. A tarefa destes homens, em duplas, era anunciar a Jesus, proclamar a paz, e prepará-los para uma visita pessoal do Salvador.
“… e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir.” Lc 10:1
Que missão maravilhosa! Preceder o Senhor, o Messias Salvador! Nesta comissão, Jesus deu a eles as diretrizes e poderes que os capacitaria a ser bem sucedidos.
Em primeiro lugar, eles foram orientados a visitarem as casas, as famílias por onde passassem: “Ao entrardes numa casa…”(5), “Permanecei na mesma casa…”(7) O alvo eram as famílias, as casas que eram povoadas por gente comum como eu e você, gente com sonhos, esperanças, frustrações, desalentos, dores, necessidades. Jesus queria visitar estas casas, transformar estas famílias, curando os lugares e cidades.
Em segundo lugar, eles deveriam experimentar de tudo que as famílias tinham: “Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem;”(7) Os mensageiros deveriam interagir com a casa e família, conhecendo e entendendo a realidade local, evitando assim um discurso vazio de empatia. Já era um anúncio de um Cristo pessoal, livre das “garras” da religiosidade perversa e vazia de significado. Um Deus que desejava ser um amigo íntimo e relevante.
Em terceiro lugar, eles estavam indo como mensageiros da paz. Excelente notícia!! “Ao entrardes numa casa, dizei antes de tudo: Paz seja nesta casa!”(5) Os mensageiros estavam anunciando o caráter daquele por vir, a motivação por traz do movimento. Paz! Esta era sim uma boa notícia. Não era uma visita de uma autoridade religiosa opressora, que condena, que explora, que promove a culpa, que abusa da esperança e fé dos sofridos e angustiados. Excelente notícia!
Em quarto lugar, os mensageiros traziam com a mensagem algo fantástico: milagres! Quem não precisa de milagres? A cura daquele câncer, aquele emprego disputadíssimo, a comida que falta a mesa, os móveis que água levou, o retorno de um filho perdido. “Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: A vós outros está próximo o reino de Deus.”(9) O pai da jovem de quatorze anos, única sobrevivente do acidente com um avião de bandeira do Iêmen, é um exemplo recente de alguém que se depara com um milagre. Depois de ver imagens de destroços flutuando, corpos espalhados pelo mar, era claro que sua filha estava morta. Mas, do meio do caos, como um sonho, veio a notícia que ela estava viva, foi encontrada enfraquecida entre os escombros flutuando. Um milagre, uma excelente notícia.
O reino de Deus está próximo. Que mensagem linda e alentadora! Hoje precisamos nos lembrar e anunciar que Deus está próximo, que ele se importa, que ele tem poder, que ele faz milagres. Há esperança. Esta é a nossa missão como crentes: ir às pessoas, aonde elas estão, participando de suas realidades, anunciando que o Senhor está próximo. Experimentar e anunciar o poder de Deus que transforma, restaura a alma do aflito, cura o corpo, surpreende o que sonha. O mundo clama por estes mensageiros, hoje há milhares de almas que aguardam os filhos de Deus com boas notícias, acompanhadas de poder. Precursores da luz, aquele que chega anunciando o que vem, e quando ele entrar a casa nunca mais será a mesma.
Pr. Sérgio Horta
Publicado no Boletim 651 de 12/Jul/2009