Pouco antes de ser preso, julgado e morto, Jesus passou uma última noite em companhia dos seus discípulos. Valeu-se da ocasião para instruir, consolar e preveni-los.
Sabendo que dispunha de pouco tempo para estar com eles e que em breve os deixaria, Jesus contou aos discípulos alguns dos fatos mais básicos e importantes da vida cristã. Falou sobre o significado da sua morte, a vinda do Espírito Santo, a esperança da vida futura na casa do Pai, a missão a ser cumprida pelos discípulos, e também o conflito entre o mundo e os discípulos. Nessa noite, ele deu a eles um derradeiro mandamento: que se amassem uns aos outros. Esta ordem do Mestre, refletida em todos os livros do NT, é fundamental à vida cristã: serve de base a todos os outros mandamentos recíprocos. Nada mais natural, então, do que estudá-lo em primeiro lugar. O mandamento
Disse Jesus: “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. O valor do mandamento sobre o amor
Jesus atribuiu a maior importância possível a este mandamento, quando afirmou que a obediência ao mesmo, seria o universal distintivo de todo discípulo seu. “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros”.(Jo 13:35)
O apóstolo João também deu grande importância a este mandamento, quando disse que o homem que não ama ao seu irmão, também não ama ao Pai. Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus, mas odiar a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. (Jo 4:20) Como isso se aplica a nós?
Este preceito tem, pelo menos, duas implicações básicas:
1 - O amar-nos uns aos outros não é optativo. De toda pessoa que crê no Senhor Jesus, se requer que ame a todos os outros que também nele creem. Não amar é desobedecer à ordem específica do Senhor Jesus Cristo.
2 - Que nos amemos uns aos outros não é automático. É algo que faremos ou não, de acordo com a nossa vontade de obedecer. Base para definição
Amor é uma palavra quase impossível de se definir, mesmo quando descartamos as falsas ideias do amor e nos restringimos àquelas apresentadas pela Bíblia. O amor é algo interno, que se demonstra por ações externas. Essa ligação entre atitudes e ações, João a menciona quando procura definir, em I Jo 4:8-10, o amor de Deus: “Quem não ama não o conhece, porque Deus é amor. Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele que nos amou e enviou o seu Filho como propiciação por nossos pecados". Definição: o amor
Do que foi exposto acima, três ideias se tornam claras e ajudam a que formemos uma definição provisória.
O amor é...
1) uma atitude ou afeição interna...
2) que se manifesta em comportamento e ações de boa vontade...
3) e que procura contribuir unicamente para o bem da pessoa amada. Descrevendo o amor
Talvez a melhor descrição do amor seja aquela de I Co 13:4-7: “O amor é paciente. O amor é bondoso. Não inveja nem se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Será “Novo”?
Jesus chamou de novo, este mandamento. A palavra grega - ágape - que ele utiliza para se referir a esta atitude, comunica a ideia de um tipo de amor previamente desconhecido e de uma qualidade diferente.
Não era novidade que os melhores do povo de Deus devessem amar uns aos outros. Já os israelitas do AT tinham o dever de amar, inclusive aos estrangeiros e peregrinos (Dt 10:18-19). A nova qualidade do amor que Cristo ordenava, parece que consiste no fato que devemos amar assim como Cristo nos tem amado.
Antes que Deus se revelasse plenamente em Jesus Cristo, o amor talvez consistisse principalmente em evitar qualquer ação prejudicial ao próximo (Êx 20:13-17). Mas agora, o amor tem um padrão que é novo, porque é mais alto. O discípulo deve procurar - ativamente - oportunidades para fazer o bem aos outros, e de modo especial aos cristãos, assim como Jesus tomou a iniciativa de fazer o bem a nós. O Amor de Jesus para conosco
Jesus manifestou ágape, esse perfeito amor para conosco, de muitas maneiras. Considere os seguintes exemplos:
● tornando-se servo a nosso favor (Fp 2:7)
● dando-se a si mesmo por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade (Tt 2:14)
● levando em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro (I Pe 2:24; Rm 5:6)
● dando a própria vida por nós (Jo 10:11)
● fazendo constante intercessão por nós (Hb 7:25)
● compadecendo-se das nossas fraquezas (Hb 4:15) Nosso amor ao próximo
Da mesma maneira como Jesus nos amou, assim é que nós devemos amar-nos uns aos outros. Fazemos isto (somente com o poder do Espírito Santo, é claro), obedecendo aos mandamentos recíprocos do NT. Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade (I Jo 3:18).
Sue Harville e Lowel Bailey Publicado no Boletim 673 de 13/Dez/2009