BOLETIM 683

NO MUNDO, MAS NÃO DO MUNDO


Em nossa vida constantemente lidamos com a questão do “ser ou não ser”. Não raras vezes encontramos situações nas quais ouvimos pessoas dizerem: Eu estou, mas não sou. Assim, encontramos pessoas que estão no Brasil, mas não são brasileiros; outros que estão alguma coisa, mas não são aquilo; como aquele que diz: Eu estou professor, mas não sou professor. Bem, nesse universo de ser ou não ser há os que estão na igreja, mas não são da igreja; estão crentes, mas não são crentes. O Senhor Jesus nunca teve dificuldade com esta questão. Em sua vida, ele sempre afirmou: Eu sou, e nele, isso tem caráter eterno. Basta lembrar: “Eu sou o caminho”, “Eu sou a verdade”, “Eu sou a vida”, “Eu sou a luz”, “Eu sou a porta”, “Eu sou o bom pastor”.
Na segunda parte da oração sacerdotal, João 17:9-19, Jesus faz uma declaração poderosa a respeito dos seus discípulos: “Eles não são do mundo, como também eu não sou” (João 17:16). O mundo ao qual Jesus se refere não significa o planeta Terra, mas o sistema perverso, injusto e demoníaco que se opõe contra Deus e que está implantado no coração da humanidade: “Este mundo jaz no maligno”. Jesus afirma que houve uma ruptura entre os discípulos e o mundo que é semelhante à sua: “Eles não são... como eu também não sou”. Há alguns aspectos, no texto, que confirmam esta separação:
1. Os discípulos são de Deus... não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste,porque são teus” (17:9). Jesus já sabia o preço que seria pago para que isso se tornasse realidade; compare 1 Pedro 1:17-21 e Apocalipse 5:9,10. Ser de Deus é condição necessária e indispensável para romper com o mundo. Esta não é uma condição passageira como se eles simplesmente estivessem em Deus; não, os discípulos de Jesus são de Deus. Este fato compreende a eternidade, isto é, antes da fundação do mundo e depois de seu fim (João 10:27-29).
2. Os discípulos são guardados para a unidade...Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que eles sejam um, assim como nós” (17:11). A proteção do Pai garantirá que os discípulos sejam unidos. O mundo no qual eles estão é hostil e perverso, é essa proteção de Deus que garante a permanência deles aqui, sem se contaminarem. Jesus está orando desta maneira porque sua morte, ressurreição e ascensão estão próximas e ele voltará para o Pai. Esse cuidado esteve presente durante o tempo em que esteve com eles: “Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura” (17:12). Seu desejo, então, era: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (17:15). Os discípulos não poderiam guardar a si mesmos por isso necessitavam da proteção do Pai para viverem em unidade e separados do mundo.
3. Os discípulos são santificados “Santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade” (17:17). Aqui Jesus não está falando daquela separação para Deus, mas de uma consagração para realizar uma tarefa que será colocada em suas mãos. O meio utilizado para esta consagração é a Palavra de Deus. Por meio dela eles estariam aptos para desempenharem o serviço para o qual foram enviados “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (17:18). Tudo isso é tão grande e tão especial que Jesus diz: “E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”.
Esta oração de Jesus se estende a todos os que, no futuro, se tornariam também seus discípulos. Neste caso, queridos irmão, devemos reconsiderar nossas convicções quanto a quem somos. Somos de Deus? Somos guardados por Deus para a unidade? Somos consagrados para o serviço de Deus que é fazer discípulos e ensiná-los? Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo


Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 684 de 21/Fev/2010