BOLETIM 686

O GRANDE MISTÉRIO DE DEUS
(João 17:22-26)

O homem sempre foi fascinado por mistérios e sobrenaturais; por isso tantos sonhos, tantas revelações, tantas profecias e não importa se elas procedem de anjos ou de demônios. Já não há mais satisfação e contentamento com a revelação de Deus em sua Palavra. Os “evangélicos” já não se contentam mais com a Bíblia. O apóstolo Paulo escrevendo aos crentes da cidade de Colossos diz: “...o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória;...” (Colossenses 1:26,27). Este mistério, segundo Paulo, é o único que pode dar esperança. O mistério de Deus, que se revela plenamente no fato de estar Jesus nos crentes, nos consola porque diz respeito a esta vida e nos dá segurança porque nos garante a eternidade.
A ênfase da última parte da oração de Jesus no capítulo 17 de João não é exatamente a unidade dos discípulos, embora, isso seja importante, é apenas resultado de algo muito maior: a presença de Cristo neles. Os discípulos, só serão unidos se cada um estiver unido a Cristo. É isto que garante a unidade do corpo. Só está de fato no corpo quem está de fato em Cristo. A verdadeira Igreja consiste não daqueles cujos nomes estão no livro do rol de membros, mas dos que estão em Cristo. Depois desta oração Jesus segue para a morte; era, portanto, necessário que os discípulos soubessem que Cristo permaneceria neles. O texto nos diz que essa união com Cristo tem as seguintes implicações:
Os que estão em Cristo participam da sua glória. A que glória Jesus está se referindo? Há três aspectos importantes: Primeiro se refere ao seu sofrimento, à sua cruz. Pra Jesus a humilhação do seu sofrimento era sua glória (17:22). No verso 24 Jesus expressa o desejo de ter seus discípulos com ele na sua prisão, crucificação, morte, sepultamento e ressurreição para que vissem a sua glória. Segundo a glória de Cristo tem a ver com sua obediência ao Pai. Pra Jesus viver em obediência ao Pai era sua glória (17:25). Terceiro a glória de Cristo era refletir o Pai e fazê-lo conhecido. Pra Jesus ser o reflexo do Pai e espalhar o seu conhecimento era a sua glória (17:26). Tudo isso nos faz afirmar que cristianismo sem sofrimento, sem cruz é cristianismo sem glória. Cristianismo sem obediência a Deus é cristianismo sem glória. Cristianismo sem o reflexo de Deus é cristianismo sem glória. Qual é a sua glória?
Os que estão em Cristo participam do seu serviço. O serviço de Cristo descrito nesta oração é manifestar o nome Pai, o amor do Pai e o enviado do Pai (17:6,23,26). Tornar o nome de Deus conhecido deve ser o foco da vida do discípulo. Se observarmos, ao longo da história, descobriremos que todos aqueles que viveram a maravilhosa graça de estar em Cristo não deixaram de testemunhar, muitos até mesmo com a própria morte, o nome de Deus, o amor de Deus e o enviado de Deus. Paulo disse: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes;...” (Romanos 1:14). Devemos lembrar que esse serviço de Cristo não é feito apenas com palavras, mas com ações de bondade, misericórdia e socorro. Isto é o que chamamos evangelização que é a tarefa daqueles que estão em Cristo. Não estamos em Cristo pra flutuar nas nuvens de uma espiritualidade mística, mas só faz sentido estar em Cristo se o imitarmos em sua maneira de servir.
Os que estão em Cristo participam de uma comunidade corporativa. Nesta oração Jesus faz uma distinção entre os discípulos e o mundo (17:16); eles estão juntos, mas são diferentes. O mundo é guiado por ideologias, mas a comunidade corporativa tem um cabeça que é Cristo. No mundo cada um vive por si e para satisfazer seus desejos e paixões, mas na comunidade corporativa são membros uns dos outros e têm seus desejos e paixões submetidos a Cristo. Jesus diz em 17:23 que a unidade dos discípulos cujo modelo é a unidade do Pai e do Filho faz o mundo conhecer que ele foi enviado pelo Pai e que o Pai ama os discípulos com o mesmo amor com que amou a ele próprio.
Esta oração de Jesus ao mesmo tempo em que nos consola, com bênçãos maravilhosas, também nos compromete diante do grande mistério de Deus revelado: “Cristo em vós (nós) a esperança da glória”. Vale reler o que Paulo escreveu em 2 Timóteo 2:1-13.

Pr. Vanderli Brito
Publicado no Boletim 686 de 14/Mar/2010