Servindo ao Senhor na singeleza do dia a dia
Por Vilma de Souza Arantes
Era uma jovem mulher de 38 anos. Casada, mãe de seis filhos biológicos e mais seis que lhe foram acrescentados pelo Senhor, mulher de instrução mediana para sua época, fora professora, quando muito jovem, pois aos oito anos de idade, alfabetizara um jovem de 20 e poucos anos.
A partir daí até casar-se sempre encontrou tempo de ensinar as primeiras letras àqueles que não tinham idade nem condição de frequentar uma escola regular. Fazia isso, da mesma forma que costurava para os roceiros, sem lhes cobrar nada, apenas pelo gosto de fazê-lo. Após o casamento, continuou à sua maneira a arranjar tempo para estar sempre por perto daqueles que necessitavam. Agora, com os filhos na escola, o marido que exigia muito de si, devido à prolongada doença física, tinha a casa sempre cheia e ainda recebia aqueles que vinham do interior para a cidade em busca de tratamento de saúde. Ela os recebia, marcava as consultas, acompanhava-os nas idas aos hospitais, e ainda achava tempo pa ra depois de terminar seus afazeres de dona de casa, já na parte da tarde, de subir o morro, pois morava mais ou menos no início do morro, e aplicava injeções em todos aqueles vizinhos ou não- vizinhos ,que não tinham condições de ir aos ambulatórios da época, ou mesmo a uma farmácia. Continuava a costurar para sua família e para todos aqueles que lhe pedissem para fazê-lo sem cobrar um tostão (dinheiro da época). Furava orelhas de bebês e menininhas que queriam usar brincos e ao mesmo tempo organizava a apresentação natalina de sua congregação, pois além de frequentar a igreja, fazia parte de duas congregações. Costurava as roupas, escolhia ,ou até mesmo escrevia os textos, ensaiava as falas dos personagens e no dia 25 de dezembro todos tinham o prazer de reviver o nascimento de Jesus, através daquele modesto espetáculo, mas ao final, todos retornavam felizes às suas casas.
Assim, o fez enquanto Deus lhe deu forças, e ainda hoje, orienta ,guia, influencia sua família e vizinhos. Isto é ser instrumento na sociedade que surpreende de forma silenciosa, constante, sem nada pedir em troca, mas sim, recebendo das mãos do Senhor toda a misericórdia para a sua vida. Sejamos assim, mulheres que surpreendem na sociedade de forma altruísta e singela.